Extremo Oeste e Noroeste elencam ferrovia, ponte sobre o Rio Uruguai e mais leitos de UTI entre as maiores necessidades das regiões

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Roadshow do Voz Única 2026 apresentou aos candidatos a deputado federal e estadual, em São Miguel do Oeste, os pleitos prioritários das regionais Extremo Oeste e Noroeste

No Extremo Oeste catarinense, atravessar o Rio Uruguai ainda depende de uma balsa. A ausência de uma ponte interestadual entre Itapiranga e Barra do Guarita, no Rio Grande do Sul, resume o principal entrave levantado pelos empresários da região: falta de infraestrutura de transporte numa área que sustenta boa parte da produção agroindustrial de Santa Catarina com recursos públicos reduzidos.

A Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (Facisc) levou nesta quinta-feira (3/9), a São Miguel do Oeste, mais uma etapa do roadshow de apresentação do Voz Única 2026 aos candidatos das eleições deste ano. O encontro, na Câmara Municipal de Vereadores, reuniu candidatos a deputado federal e estadual para a entrega dos pleitos prioritários das regionais Extremo Oeste e Noroeste,  a sétima parada de um circuito que passa por 12 regiões catarinenses até 17 de setembro.

“Somos uma regional pequena, com vários municípios pequenos, mas somos muito bons de trabalho”, afirmou a vice-presidente regional do Extremo Oeste da Facisc, Vanessa Back Bertol, ao apresentar os pleitos da região. 

Segundo dados apresentados no evento, o Extremo Oeste responde por R$ 16,3 bilhões do PIB catarinense e emprega 64,6 mil trabalhadores formais, com 228,5 mil habitantes, números que colocam a regional entre as 12 economias do Estado, mas distante das primeiras posições em investimento público. 

Na saúde, o cenário é ainda mais crítico. A região tem apenas nove leitos de UTI no SUS a cada 100 mil habitantes, o menor índice entre as regionais da Facisc, e ocupa o terceiro lugar em internações por condições sensíveis à atenção primária, indicador que mede doenças evitáveis com atendimento básico adequado.

É por isso que a ampliação do Hospital Regional Terezinha Gaio Basso, com mais leitos de UTI adulto e neonatal, aparece entre os seis pleitos prioritários da regional, ao lado da construção da ponte sobre o Rio Uruguai, da duplicação da BR-282 entre São Miguel do Oeste e Irani e da revitalização da BR-163 entre Guaraciaba e São Miguel do Oeste — trechos classificados pela Confederação Nacional do Transporte entre as condições “regular” e “ruim”.

No topo da lista de prioridades, porém, está a ferrovia. “A ferrovia ficou por muito tempo apagada, e isso está muito forte na Facisc, porque precisamos continuar a crescer. Enquanto não arrumarmos outros modais, nossas estradas não estarão boas”, disse Vanessa. Ela lembrou que Santa Catarina é o segundo maior exportador de aves do Brasil e que, desde 2000, as exportações catarinenses de carne suína cresceram quase 2.000%, mas a cadeia depende de grãos vindos do Centro-Oeste do país por rodovia. “Precisamos trabalhar políticas públicas para que possamos fortalecer o agro e não ficar à mercê de impactos que não controlamos, como taxações e alterações climáticas”, completou.

Pleitos do Noroeste

A pauta da energia elétrica lidera os pleitos do Noroeste. O vice-presidente regional Volmir Marcos Voltolini apontou que o consumo industrial de energia na região cresceu 117% na última década, o maior aumento entre as 12 regionais catarinenses, sem contrapartida equivalente em investimento na rede. “Temos muita queda de energia, e isso afeta muito quem tem seus negócios”, afirmou. A regional cobra a expansão da infraestrutura energética, com rede trifásica e novas subestações.

A segurança pública também entrou na lista de urgências. Entre 2015 e 2025, o Noroeste registrou 1,2 mil vítimas de crimes violentos, com destaque para o crescimento de 100% nas tentativas de feminicídio na última década. Voltolini cobrou reforço do efetivo policial e a descentralização do atendimento de emergência, hoje concentrado no número 192. “Não podemos depender de um atendimento que vai para os grandes centros e demora para chegar nas cidades menores”, disse.

Assim como no Extremo Oeste, a ferrovia também é prioridade no Noroeste, regional que tem o segundo maior valor de produção agropecuária por habitante de Santa Catarina, atrás apenas da vizinha. “Ferrovia não é utopia. Ela complementa a rodovia, ela traz o desenvolvimento. Se nunca tivermos a ferrovia, não vamos crescer”, afirmou Voltolini.

O presidente da Facisc, Elson Otto, definiu o Voz Única como o principal programa de representatividade empresarial do Estado. “Não é uma lista de queixas, é um mapa de oportunidades. Quem souber executar vai governar e legislar melhor”, disse. Segundo ele, o programa nasce da escuta permanente do setor produtivo e reúne prioridades voltadas à geração de emprego, à melhoria do ambiente de negócios e à qualidade de vida da população.

Nesta edição, o levantamento reuniu 1.217 pleitos em todo o Estado, a partir de mais de 29 mil votos de empresários associados às entidades da Facisc. No Extremo Oeste, foram 104 pleitos apresentados. 

O roadshow segue por mais três regionais: Rio do Sul (9/9), Caçador (10/9) e Brusque (15/9). No dia 17/9, a Facisc recebe na sua sede em Florianópolis , os candidatos ao Governo do Estado e ao Senado.

Confira as fotos do evento aqui.