Voz Única 2026 reúne os seis pleitos prioritários definidos pelo setor produtivo da região, com diagnóstico que aponta rodovias federais degradadas e o menor número de leitos hospitalares por habitante de Santa Catarina
As rodovias federais que cortam a Serra Catarinense somam trechos avaliados como ruins ou regulares pela Confederação Nacional do Transporte, e a região concentra a maior taxa de mortes evitáveis por falta de atenção primária à saúde em Santa Catarina. Esse diagnóstico embasou o encontro promovido pela Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (FACISC) na segunda-feira (24), na sede da Associação Empresarial de Lages (ACIL), quando candidatos a deputado federal e estadual receberam os pleitos prioritários da Serra dentro do programa Voz Única 2026.
O encontro em Lages tem como objetivo apresentar aos futuros parlamentares as demandas do setor produtivo catarinense para o período até 2030. Nesta quinta edição, o Voz Única reúne 1.217 pleitos construídos pelas associações empresariais e votados por mais de 29 mil empresários das mais de 51 mil empresas representadas pela Federação. Do total, 811 pleitos são inéditos nesta edição e mais de 300 demandas da edição anterior já tiveram algum avanço, segundo a entidade.
O presidente da FACISC, Elson Otto, defendeu o papel do Voz Única como canal permanente entre empresários e políticos. “O Voz Única promove o diálogo entre a classe política e o setor produtivo. Quando andamos juntos, transformamos a nossa cidade, o nosso estado e o nosso país. Precisamos de menos polarização e mais união. O Voz Única não é uma lista de prioridades: é um compromisso de trabalho conjunto que ultrapassa o período eleitoral”, afirmou.
Na Serra, o levantamento reuniu 66 pleitos: 11 deles vieram da edição anterior e 55 são novos. Desse conjunto, seis foram eleitos prioritários pelos empresários da região, que responderam a 2.073 votos no processo de consulta.
Para o diretor do Voz Única, Jeferson Argenton, o encontro em Lages reafirma a força do associativismo empresarial catarinense. “O Voz Única está na quinta edição, e isso demonstra a força do movimento em todo o estado”, afirmou.
Rodovias concentram a maior parte das prioridades
Três dos seis pleitos prioritários da Serra tratam de infraestrutura rodoviária e ferroviária. O primeiro cobra a conclusão dos 59 km de pavimentação asfáltica da SC-390, no trecho entre Coxilha Rica e Caminhos da Neve, e o segundo pede a conclusão dos 8 km de pavimentação da SC-114, que liga São Joaquim, em Santa Catarina, a Bom Jesus, no Rio Grande do Sul. Um terceiro pleito, de esfera federal, defende a implantação de um corredor ferroviário que ligue o Oeste Catarinense aos portos e ao Centro-Oeste do país com traçado pela Serra.
Levantamento da Confederação Nacional do Transporte e do Centro de Inteligência Empresarial da FACISC mostra por que a pauta rodoviária pesa na região. Na BR-282, no trecho que atravessa a Serra, a maior parte da via está em condições regulares ou ruins, sobretudo pela geometria da pista: entre 2018 e 2025, o número de feridos na rodovia cresceu 220%, ritmo muito acima da média catarinense, de 53% no mesmo período, e as mortes aumentaram 292%. Na BR-116, cujo trecho serrano tem condições boas ao sul e regulares ao norte, o número de feridos dobrou na década, o dobro do crescimento médio do estado, ainda que tenha recuado de 2024 para 2025.
O vice-presidente regional da FACISC na Serra, Antônio Carlos Floriani, destacou a dependência da região em relação às rodovias. “Precisamos de investimentos nas rodovias, que hoje são a principal forma de escoamento da produção da Serra”, disse. Floriani também chamou atenção para o indicador de leitos hospitalares da região, um dos mais baixos do estado em relação à população.
Saúde concentrada em Lages
O quarto pleito prioritário pede a capilarização dos serviços de saúde na Serra Catarinense, com distribuição mais equilibrada dos recursos e ampliação da capacidade local, para reduzir a concentração de atendimentos no sistema hospitalar de Lages. Os dados da região justificam a urgência. A Serra registra 173 óbitos e 1.525 internações a cada 100 mil habitantes por condições sensíveis à atenção primária, o pior índice entre as doze regionais catarinenses e acima da média do estado. A região também tem uma das menores quantidades de leitos hospitalares de Santa Catarina por habitante, com 102 leitos a cada 100 mil moradores. Em dez anos, Lages passou a concentrar 63% dos leitos hospitalares da Serra, ante 50% em 2015, o que aprofundou a dependência dos demais municípios em relação à capital regional.
Monitoramento digital e educação completam a lista
O quinto pleito prioritário propõe a integração da rede de monitoramento digital dos municípios da Serra para a construção de um cercamento de segurança pública regional. Segundo o levantamento apresentado no evento, o número de vítimas registradas na região caiu 16% na última década, na contramão da média catarinense, que cresceu 12% no período, mas alguns indicadores pioraram como os casos de suicídio saltaram de 25, em 2015, para 54, em 2025, e o primeiro semestre de 2026 já registrou cinco tentativas de feminicídio, mais do que o total contabilizado em todo o ano anterior.
O sexto pleito, de esfera estadual e federal, defende a ampliação de políticas públicas de educação na Serra Catarinense para elevar o Índice de Desenvolvimento Humano da região. O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) da Serra cresceu, em média, 9% entre 2023 e 2025 em todas as etapas escolares, mas segue abaixo das médias estadual e nacional. Cerro Negro aparece com as piores notas nos anos iniciais e no ensino médio, enquanto Otacílio Costa, Rio Rufino e Bom Retiro lideram os melhores resultados da região.
Peso econômico da região
A Serra Catarinense responde por 305,4 mil habitantes e um Produto Interno Bruto estimado em R$ 17,4 bilhões, a décima maior economia entre as regionais da FACISC. A região soma 77,7 mil empregos formais e 39,1 mil CNPJs ativos, o equivalente a 3% do total do estado em ambos os indicadores.
Associativismo como força de representação
O presidente do Conselho Superior da FACISC, Sérgio Rodrigues Alves, reforçou o caráter prático do documento. “O Voz Única é uma ferramenta de trabalho que vem ao encontro do que todos queremos: o bem do nosso estado. O problema da infraestrutura é o que mais afeta os empresários”, disse.
O roadshow segue por mais sete etapas até setembro, com passagem prevista por Criciúma, São José, Chapecó, São Miguel do Oeste, Rio do Sul, Caçador e Brusque, além de um encontro final na sede da FACISC voltado a candidatos ao Governo do Estado e ao Senado. As cidades de Mafra e Guaramirim já receberam os roadshows nos dias 19 e 20/8.












