Federação pede que tratativas contemplem o setor catarinense de carne de aves e outras cadeias produtivas estratégicas
A restrição imposta pelo bloco europeu às exportações brasileiras de carnes e produtos de origem animal acendeu um alerta na Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (FACISC). A medida gera preocupação justamente em um momento de ampliação das oportunidades comerciais entre o Mercosul e a União Europeia, e leva a entidade a defender que as negociações entre o governo brasileiro e a UE contemplem especialmente o setor de carne de aves e outras cadeias produtivas com potencial de expansão internacional, como é o caso do mel.
Essa decisão compromete a retomada do comércio de carne de aves entre Santa Catarina e o mercado europeu, movimento fortalecido principalmente no período pós-pandemia. Desde 1º de maio de 2026, o acordo entre Mercosul e União Europeia passou a permitir operações com cotas tarifárias para produtos como carne bovina e carne de aves desossadas. No caso da proteína avícola, as exportações podem ingressar no bloco com tarifa zero dentro das cotas previstas, o que amplia a competitividade brasileira no cenário internacional.
Em 2025, Santa Catarina exportou US$ 205,7 milhões ao mercado europeu no setor. O valor representa uma recuperação importante após anos de retração nas vendas. Entre 2007 e 2018, o estado registrou queda expressiva de 62% nos embarques para a Europa e voltou a crescer a partir de 2021, quando avançou 75% no montante comercializado ao bloco, embora ainda abaixo dos patamares registrados na década de 2000.
No caso do mel, Santa Catarina segue como importante exportador nacional e possui certificações internacionais de selo orgânico, porém as vendas destinadas à União Europeia estão 65% abaixo do volume registrado há vinte anos.
A carne de aves é o principal produto exportado por Santa Catarina e o comércio com os países europeus representa cerca de 9% do total vendido internacionalmente pelo estado no setor. Nos últimos anos, a cadeia produtiva catarinense também ampliou sua presença em outros mercados internacionais, reduziu a dependência da China e fortaleceu um processo estratégico de diversificação comercial.
O diretor de relações internacionais da FACISC, Evaldo Niehues Junior, destaca que a restrição acontece justamente em um cenário de ampliação das oportunidades comerciais internacionais e de retomada das vendas para o grupo de vários setores.
“Santa Catarina possui um histórico consistente de excelência sanitária, rastreabilidade e forte inserção internacional no setor de proteína animal, especialmente na avicultura. O posicionamento da FACISC busca garantir que as negociações avancem com base em critérios técnicos e preservem não apenas um setor estratégico para a economia catarinense, mas também o potencial de crescimento de outras cadeias produtivas com forte vocação exportadora”, afirma o diretor Niehues Junior.
Referência mundial na produção de proteína de aves, Santa Catarina exporta atualmente para mais de 125 mercados internacionais e atende rigorosos padrões sanitários e culturais em diferentes continentes. Em 2025, o estado registrou montante recorde nas exportações do produto e consolidou crescimento em mercados estratégicos como Saudi Arabia, United Arab Emirates, Mexico, United Kingdom, Chile, Philippines, Jordan, Peru, Libya, Gabon e Argentina.
Além da ampla inserção internacional, o estado também é reconhecido pelas medidas sanitárias adotadas na produção animal e mantém o status de área livre de influenza aviária. Santa Catarina ainda foi pioneira no projeto de compartilhamento da avicultura de corte, sistema considerado referência na garantia da sanidade animal e da segurança alimentar.
Para a FACISC, o caminho para superar o impasse deve ocorrer por meio do diálogo técnico e da apresentação de evidências que comprovem a robustez dos controles sanitários catarinenses, preservem a competitividade internacional de setores estratégicos para a economia do estado e priorizem também os que possuem grande potencial de crescimento com o bloco europeu.








