Os preparativos de Santa Catarina para enfrentar os impactos do El Niño este ano ganharam destaque durante a reunião do Comitê das Águas da Facisc, que reuniu lideranças empresariais e especialistas para discutir obras, investimentos e estratégias de prevenção diante dos eventos climáticos extremos previstos para este ano.
A vice-presidente da Facisc, Rita Conti, destacou que o enfrentamento aos impactos climáticos exige acompanhamento constante das obras e participação ativa das lideranças regionais. “Precisamos trabalhar com dois caminhos: cobrar celeridade para que as obras aconteçam e acompanhar os próximos passos. Também precisamos entender no que podemos ajudar, indicar o que não está funcionando e contribuir para encontrar soluções”, afirmou.
Impactos do El Niño em Santa Catarina
O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial. Esse aquecimento altera a circulação atmosférica e interfere no regime de chuvas e temperaturas em diversas partes do mundo. No Sul do Brasil, os efeitos mais comuns são o aumento das chuvas, temporais mais frequentes, risco elevado de enchentes, deslizamentos e vendavais.
Em Santa Catarina, a preocupação é maior porque o estado já registra histórico de prejuízos severos em períodos de El Niño, especialmente nas regiões do Vale do Itajaí, Oeste e Extremo Oeste. A tendência para 2026 é de chuvas acima da média em vários períodos do ano, com maior frequência de eventos extremos, exigindo atenção redobrada de municípios, setor produtivo e população.
O vice-presidente Regional Oeste da Facisc, Vilson Piccoli, ressaltou que o enfrentamento aos eventos climáticos já mobiliza diferentes frentes. Segundo ele, tanto o poder público quanto as empresas vêm adotando medidas preventivas e de resposta para reduzir prejuízos causados por estiagens, enxurradas e temporais.
A vice-presidente Regional do Extremo Oeste, Vanessa Bertol, alertou para o avanço dos tornados na região. “Todos os anos passamos por destruição nas regiões e, com o El Niño, eles se intensificam. Quando vêm, a destruição é muito grande, tanto na área urbana quanto na rural”, afirmou.
Investimentos em prevenção
A reunião também destacou o esforço do Estado para ampliar a capacidade de resposta. Entre os investimentos apresentados estão mais de R$ 900 milhões aplicados em defesa civil entre 2023 e 2026, além de obras de modernização das barragens de Ituporanga, José Boiteux e Taió, sistemas considerados estratégicos para contenção de cheias no Vale do Itajaí.
Outro ponto considerado fundamental é a ampliação da rede de monitoramento hidrometeorológico. Santa Catarina concluiu a instalação de 172 estações distribuídas em todas as regiões do estado, capazes de monitorar em tempo real níveis dos rios, volume de chuva e variáveis climáticas. O sistema também conta com câmeras e alarmes para reforçar os alertas preventivos.
O hidrólogo da Epagri, Carlos Alberto Rockenbach, destacou que os investimentos em radares meteorológicos e sistemas de monitoramento fortalecem a preparação do estado. “O Governo do Estado vem fazendo seu dever de casa e muito se deve a este Comitê”, afirmou.
Para o vice-presidente Regional da Facisc para o Alto Vale, Jean Sandro Pedroso, a prevenção precisa envolver também as empresas e a sociedade. “Tem muitas coisas que esperamos da Defesa Civil, mas muitas coisas podemos fazer nas nossas empresas. Precisamos entender o que está sendo feito, contribuir e minimizar os impactos nas nossas cidades”, disse.
Além das obras estruturantes, o Comitê das Águas reforçou a importância da integração entre municípios, atualização dos planos de contingência, limpeza de rios e bueiros, monitoramento de áreas de risco e ações rápidas de resposta em caso de desastres. A mensagem apresentada durante a reunião resume a estratégia adotada: “Prevenir custa menos que recomeçar”.













