Setores que mais empregam na economia catarinense tem o potencial de perder espaço na produção nacional
A Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (FACISC) considera a decisão do Governo Federal de revogar a taxação das compras internacionais de até US$50 extremamente prejudicial para a economia catarinense e pede a reversão para evitar prejuízos à economia. A medida estava em vigor desde agosto de 2024 para mitigar os efeitos da concorrência desigual com produtos importados.
Na tentativa de reverter essa situação, a FACISC acionou os deputados federais catarinenses para que possam intervir. Para a vice-presidente da FACISC, Rita Cássia Conti, a medida prejudica significativamente os setores que mais empregam no estado e que possuem alta relevância nacional: a indústria têxtil, de confecção e de calçados. As importações de pequeno valor no país, 44,4% são de produtos desses segmentos. “A revogação da medida vai prejudicar diretamente tanto a rentabilidade e empregabilidade das empresas, como também a segurança jurídica e financeira da população, pois esses setores são os que mais assinam carteiras no estado”.
“Além do emprego formal, parte significativa dessas pessoas trabalham por conta própria”, explica Rita. Cerca de 52 mil micros e pequenas empresas operam com margens menores e possuem menor capacidade de absorver choques de mercado.
A indústria de confecção, em especial, é o segundo setor que mais emprega na economia catarinense, com cerca de 195 mil pessoas ocupadas em 2025. No setor têxtil e de calçados/couro, são 97 mil trabalhadores. Juntos, os setores representam 28% da quantidade de pessoas ocupadas na indústria de Santa Catarina.
A revogação da medida também compromete a relevância da indústria catarinense no país e no mundo. Santa Catarina é líder na produção nacional no setor de confecção e na fabricação e tingimento de tecidos, responsável por mais de 30% e 50% da produção nacional, respectivamente.
Mesmo com todos os desafios envolvidos na produção, como os elevados custos de produção e o fim do benefício da desoneração da folha de pagamento em 2025, os setores continuam se diferenciando e sendo relevância internacional, assumindo também a liderança nacional nas exportações de vestuário, artigos de cama, mesa e banho e tecidos de malha.
Enquanto o empreendedor nacional arca com elevada carga tributária, encargos trabalhistas, custos regulatórios, obrigações ambientais, logística interna e investimentos para diferenciar a produção, os importados estrangeiros passam a competir com vantagens que distorcem o mercado, reduzem a qualidade do produto final e pressionam diretamente a produção e o emprego local.
Para Rita Conti, é fundamental garantir isonomia entre os produtos nacionais e estrangeiros. “A FACISC defende igualdade de condições tributárias entre os produtos importados e os produtos fabricados no Brasil. Não podemos penalizar quem produz, emprega e investe no país enquanto o mercado externo recebe vantagens que comprometem a competitividade da indústria nacional”, destaca Rita.
A entidade ressalta que decisões dessa natureza não podem ser tomadas com base em conveniência política de curto prazo. Medidas de forte apelo popular, quando adotadas sem considerar seus impactos produtivos, podem comprometer o crescimento da economia e o poder aquisitivo das famílias. “O Brasil precisa de políticas públicas que fortaleçam e valorizem a economia, em prol da redução dos encargos tributários para os empresários e da concorrência justa”, finaliza Rita.













