Dados apresentados no COFEM apontam gargalos no abastecimento de grãos e pressão sobre a competitividade do setor
Legenda: Conselho se reuniu na sede da FACISC, em Florianópolis. Foto: Divulgação/FIESC
A Facisc recebeu nesta segunda-feira, 13/4, a reunião do Conselho das Federações Empresariais de Santa Catarina (COFEM). Entre os destaques estiveram a oferta de matéria-prima e os gargalos logísticos. O presidente da Facisc, Elson Otto, reforçou que a pauta logística é urgente para a competitividade catarinense. “É uma questão de sobrevivência.”
Representando a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Arene Trevisan apresentou dados que evidenciam a dependência do estado em relação ao abastecimento de grãos. Santa Catarina produz cerca de 2,3 milhões de toneladas de milho, mas consome aproximadamente 8 milhões, volume que pode chegar a 10 milhões nos próximos anos.
O milho responde por cerca de 80% da ração, sendo o principal insumo da cadeia de proteína animal. Trevisan destacou que o avanço da produção nacional de grãos não foi acompanhado pela infraestrutura. O Brasil já enfrenta déficit de armazenagem de cerca de 25%, enquanto o transporte interno segue majoritariamente rodoviário.
Outro ponto de atenção é o crescimento da produção de etanol de milho, que amplia a demanda por matéria-prima no país e pressiona a disponibilidade para outros setores.
A logística também enfrenta limitações operacionais, com redução no número de motoristas e aumento da idade média da categoria, o que pode afetar o transporte nos próximos anos.
O tema foi sugerido pela Facisc diante da forte demanda por investimentos em logística defendida pela entidade. O diretor de Ferrovias e Agronegócio da Federação, Lenoir Broch, que também preside o Movimento Pró-Ferrovias, destacou que é preciso ajustar o foco logístico do país. “A ferrovia deve atender não só à exportação, mas também ao mercado interno, aos polos produtivos e à agregação de valor. Santa Catarina tem vocação na transformação e na proteína animal, e a infraestrutura precisa acompanhar essa realidade.”
Jornada de Trabalho
Os integrantes do Conselho debateram ainda a questão da redução da jornada de trabalho. A FIESC defende que o mecanismo ideal é a negociação coletiva, já que leva em conta particularidades de cada setor e o acordado entre empregadores e trabalhadores. Na indústria de SC, a Federação lembra que muitas cumprem a escala em regime 5×2.
A entidade também integra o conjunto de 27 federações estaduais da indústria, 95 associações setoriais e 342 sindicatos industriais que apoiam o manifesto divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) na quinta-feira (9).
O documento expressa preocupação com as propostas de redução da jornada semanal de trabalho e com o fim da escala 6×1 em discussão no Congresso Nacional.
O manifesto reforça que, embora o debate seja legítimo, medidas dessa natureza podem provocar impactos severos sobre a economia, os investimentos e a geração de empregos formais. Estimativas indicam que a redução da jornada para 40 horas semanais pode elevar os custos com trabalhadores formais em até R$ 267 bilhões por ano, um aumento de até 7%.
Sobre o COFEM
O COFEM é composto pelas Federações das Indústrias (FIESC), do Comércio (FECOMÉRCIO), da Agricultura (FAESC), dos Transportes (FETRANCESC), das Associações Empresariais (FACISC), das Câmaras de Dirigentes Lojistas (FCDL), das Micro e Pequenas Empresas (FAMPESC), além do Sebrae-SC.













