Pelo menos 88% das exportações do Extremo Sul aos EUA estão passíveis da alíquota máxima

Extremo Sul
Pelo menos 88% das exportações do Extremo Sul aos EUA estão passíveis da alíquota máxima

Comércio Exterior

Bianca Backes

Autor Bianca Backes

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Em reunião de diretoria da ACIC Criciúma, a FACISC apresentou estudo com possíveis impactos do tarifaço à economia regional

O Extremo Sul catarinense é a região que mais tem produtos exportados aos Estados Unidos que estão passíveis da alíquota máxima estabelecida pelo governo estadunidense a mercadorias brasileiras. De acordo com estudo realizado pela Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (FACISC), 88% do que é vendido da região aos EUA deve ser impactado pelo tarifaço, sendo que a média estadual é 33%. A análise foi apresentada na última reunião de diretoria da ACIC Criciúma, nesta segunda-feira. Além da diretoria da ACIC estavam presentes representantes das associações de Içara, de Cocal do Sul, de Urussanga, de Orleans e de Araranguá.

A cerâmica não vitrificada é o setor que mais exporta para os EUA: representa 40% dos produtos vendidos ao país. No entanto, entre os 11 setores que mais exportam, os mais impactados pelo tarifaço são produtos do agronegócio, como a madeira em forma (99% das exportações da região é para os EUA) o mel (80%), o amido (82%) e as farinhas de legumes (70%).

A situação se agrava ainda mais para o mel e produtos de madeira, pois os Estados Unidos são responsáveis pela compra de 70% da produção mundial destes produtos. Além disso, o Brasil está entre os cinco maiores fornecedores de mel e de madeira ao país, o que dificulta ainda mais a diversificação de parceiros comerciais.

Conforme o conselheiro Fiscal da FACISC Edio Kunhasky Junior, o fato de os EUA serem os maiores compradores mundiais da maioria dos produtos da região dificulta a diversificação de parceiros em curto prazo. Por isso, é preciso pensar em políticas de longo prazo como alternativa às empresas, para que possam ampliar a venda a outros mercados e sofrerem menos os impactos de futuras crises geopolíticas.

“O estudo da FACISC mostrou que a maior parte dos 11 setores do Extremo Sul que mais exportam aos EUA também tem como potenciais compradores países como Canadá, Austrália, Romênia e República Tcheca. Ainda há outros países como México, Turquia, Eslováquia e Filipinas, que aparecem como potenciais compradores dos produtos da região”, avalia o conselheiro.

Diversificação de parceiros – Além desse fortalecimento de potenciais parceiros, o estudo da FACISC aponta que é preciso diversificar o mercado, pois metade dos setores do Extremo Sul de SC não vem diversificando seus parceiros comerciais internacionais nos últimos anos.

Além dos setores já citados, 12% das exportações da região estão sob investigação da Seção 232 (sobre a proteção da indústria estadunidense), o que potencializa o cenário de incerteza para o setor de madeira e móveis no Extremo Sul, já que uma decisão a respeito pode sair a qualquer momento.

Os principais produtos exportados pelo Extremo Sul aos EUA (os mais impactados em negrito):

.Cerâmica não vitrificada

. Mel (80% é exportado aos EUA)

. Tabaco não manufaturado (setor depende menos dos EUA porque conta com parceiros comerciais mais representativos, como os Emirados Árabes e Bélgica)

. Madeira em forma (setor pode ser impactado pela seção 232 e exporta 99% aos EUA)

. Móveis (setor pode ser impactado pela seção 232 e exporta 73% aos EUA),

. Farinha de carne

. Amido (exporta 82% aos EUA)

. Bombas de líquido

. Farinha de legumes (exporta 70% aos EUA)

. Máquinas agrícolas (vende mais para a América Latina)

. Pedras de moagem (cerca de 50% das exportações para os EUA)