No Dia da Mulher Empresária, a trajetória da primeira mulher a presidir a ACIRCAN simboliza a presença feminina cada vez maior nos espaços de liderança e representação empresarial.
Por muito tempo, ocupar determinados espaços significava, para uma mulher, ser a exceção. Hoje, a presença feminina no mundo dos negócios já não cabe nessa condição. Mulheres estão à frente de empresas, lideram equipes, tomam decisões, criam negócios, geram empregos e participam ativamente das entidades que representam o setor empresarial.
Em Campos Novos, essa mudança também pode ser percebida dentro da Associação Empresarial, Rural e Cultural Camponovense (ACIRCAN). Pela primeira vez em sua história, a entidade tem uma mulher na presidência. Nilza Teresinha Scolaro Santos assumiu esse espaço de liderança e se tornou a primeira mulher a presidir a associação. O fato de isso acontecer apenas agora também convida a uma reflexão sobre os caminhos que levaram à pouca presença feminina nos espaços de decisão ao longo dos anos, onde barreiras culturais e sociais, historicamente, fizeram com que esses espaços fossem ocupados majoritariamente por homens.
Nilza também lembra que a presença feminina na liderança é resultado de uma trajetória de conquistas e destaca marcos importantes dessa caminhada. “Foi somente em 1932 que as mulheres conquistaram o direito ao voto e, até 1962, sua atuação profissional dependia do aval do marido ou do pai”, lembra a presidente da ACIRCAN. Os marcos ganham ainda mais significado neste 17 de agosto, Dia da Mulher Empresária, data dedicada a reconhecer a participação das mulheres na atividade empresarial e sua contribuição para o desenvolvimento. Afinal, quando uma mulher entra em uma sala de decisão, ela não leva apenas o próprio nome, ela ajuda a ampliar a porta para as que virão depois.
Uma mulher na presidência
Assumir a presidência de uma entidade empresarial representa responsabilidade e tomada de decisões. Ser a primeira mulher a ocupar esse cargo na história da ACIRCAN acrescenta um significado que ultrapassa a experiência individual. A chegada de Nilza à presidência registra uma mudança na própria história da entidade e contribui para ampliar a visibilidade da participação feminina nos espaços de liderança empresarial.
Para Nilza, assumir a presidência também significou enfrentar os próprios receios diante da responsabilidade de representar uma entidade com tantos associados. A experiência, segundo ela, foi marcada por aprendizado e transformação, especialmente no processo de ganhar segurança para tomar decisões e exercer a liderança. Ao olhar para esse caminho, Nilza reforça que a participação feminina nos espaços de decisão nem sempre esbarra na falta de oportunidade, mas também nas inseguranças que podem fazer com que muitas mulheres evitem ocupá-los. “Espero que minha trajetória sirva de incentivo para que outras mulheres ocupem a diretoria e a presidência da nossa entidade.” Nilza vê esse momento como uma oportunidade de estimular outras mulheres a participarem mais ativamente da entidade e dos espaços de liderança.
A presença feminina, porém, não se resume à ocupação de cargos de liderança. Ela está presente diariamente nas empresas e nos diferentes setores da economia. São mulheres que administram negócios familiares, empreendem por conta própria, transformam conhecimento em empresa e assumem o desafio de crescer em mercados cada vez mais competitivos. São trajetórias diferentes, mas que têm em comum a disposição para tomar decisões e construir caminhos.
Liderança também é representação
Uma entidade empresarial não existe apenas para reunir empresas. Também atua como espaço de representação, relacionamento, desenvolvimento e construção coletiva. Na ACIRCAN, esse movimento pode ser percebido em diferentes frentes, com mulheres participando da diretoria, dos núcleos e das iniciativas promovidas pela entidade. Um desses espaços é o Núcleo da Mulher Empresária da ACIRCAN, que reúne mulheres com diferentes trajetórias profissionais e empresariais. É justamente desse ambiente de troca que surgiu uma iniciativa que chega, em 2026, à sua 5ª edição: o Mulheres Reais Inspiram.
Uma jornada que fortalece a presença feminina na entidade
A presença de Eliane Lopes, na entidade, coincide com a atual realidade. Ela iniciou como estagiária, passou pela consultoria de núcleos e chegou à diretoria executiva. Ao longo desse caminho, acompanhou diferentes gestões e reconhece a contribuição dos líderes que ajudaram a consolidar a entidade. Ao mesmo tempo, antes de Nilza, a diretora executiva questionava a pouca presença de mulheres na diretoria, especialmente diante do número expressivo de associadas. Foi nesse contexto que incentivou Nilza a participar mais diretamente da estrutura de liderança da ACIRCAN. Para Eliane, ver Nilza chegar à presidência reforça a necessidade de ampliar a participação feminina nos espaços de decisão.
“Acredito profundamente no poder da liderança feminina. O papel da mulher é também o de decidir e de assumir as consequências de suas escolhas”, ressalta. Eliane defende a construção de uma entidade que reúna diferentes perspectivas e permita que homens e mulheres contribuam em seus espaços. Na opinião da diretora executiva, a representatividade feminina agrega, acolhe e fortalece a organização.
A carreira profissional de Eliane mostra a presença feminina na ACIRCAN e a construção de espaços ao longo dos anos. Nilza ser a primeira mulher a presidir a ACIRCAN, registra um marco na história da entidade e na participação das mulheres na liderança. Talvez o significado mais importante de ser a primeira esteja justamente no que vem depois: que ela não precise continuar sendo a única.
Assista o vídeo aqui













