FACISC alerta para impacto em pelo menos 65% das exportações catarinenses aos EUA e pede agilidade nas negociações

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FACISC alerta para impacto em pelo menos 65% das exportações catarinenses aos EUA e pede agilidade nas negociações

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Autor Comunicação FACISC

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Possível tarifa de 25% proposta pelos Estados Unidos pode atingir setores estratégicos do agronegócio e segmentos representativos no estado, como cerâmica e iates

A Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (FACISC) manifesta preocupação com os possíveis impactos da investigação comercial concluída pelos Estados Unidos contra o Brasil, conhecida como Seção 301. A medida prevê a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros e tem o potencial de afetar 65% das exportações catarinenses destinadas ao mercado estadunidense.

O percentual é mais que o dobro da média nacional e coloca Santa Catarina entre os estados mais vulneráveis à eventual taxação. Ainda há a possível imposição adicional da taxa de 12,5% tanto ao Brasil, como para outros 46 países, relacionados às condições de trabalho, que ainda possui cenário de incerteza em relação a como essa tarifa poderá ser aplicada. Diante dessas medidas, a entidade defende celeridade nas negociações diplomáticas e comerciais entre os governos brasileiro e estadunidense antes da decisão final prevista para julho.

Segundo levantamento preliminar da FACISC, cerca de 14% dos produtos exportados catarinenses aos Estados Unidos estão incluídos na lista de exceções que não sofreriam a nova tarifa. Grosso modo, outros 20% permanecem temporariamente excluídos da medida por estarem enquadrados em outras cotas e taxações de outra seção comercial, que contempla segmentos como aço, alumínio e setor automotivo. Portanto, caso essa nova medida comercial seja aprovada, cerca de 85% das exportações do estado para o país sofrerão algum tipo de cota e/ou taxação.

“Santa Catarina possui uma relação comercial muito relevante com os Estados Unidos e diversos setores dependem diretamente desse mercado. É fundamental que as negociações avancem rapidamente para evitar prejuízos à competitividade das empresas catarinenses e garantir previsibilidade e segurança jurídica aos exportadores”, afirma o diretor de Relações Internacionais da FACISC, Evaldo Nieheus Jr.

Agronegócio concentra maior risco

A preocupação é ainda maior para o agronegócio catarinense, o quinto maior do país em produção e reconhecido pela alta diversidade produtiva. Mais de 80% dos produtos que podem ser atingidos pela nova taxação pertencem ao setor, com destaque para madeira e móveis, gelatina, recipientes de papel, suco de maçã e peixes.

Além do agronegócio, outros setores importantes da economia catarinense também podem ser afetados, como a indústria de cerâmica não vitrificada e a fabricação de iates.

A FACISC reforça que as negociações devem considerar as especificidades da pauta exportadora de cada estado brasileiro. Em diversos segmentos do agronegócio catarinense, os Estados Unidos são o principal destino das exportações. É o caso de produtos como obras de carpintaria e suco de maçã, cujas vendas ao mercado norte-americano representam aproximadamente 80% das exportações desses setores.

Importância da diversificação de mercados

As incertezas cada vez mais frequentes no comércio com os EUA mostram a necessidade de diversificação de mercados e a redução da dependência à poucas economias. Por mais que seja um processo em longo prazo de negociações políticas, muitas oportunidades já vêm ocorrendo. Desde 2025, a FACISC por meio do CONCENI vem promovendo reuniões e eventos com representantes de outros países e reforçando a importância da ampliação das oportunidades comerciais internacionais.

Além do acordo entre Mercosul e União Europeia, estão as tratativas do bloco com os Emirados Árabes Unidos em estágio avançado. As negociações têm o potencial de Santa Catarina crescer níveis exportados de produtos do agronegócio com as regiões e expandir as vendas de produtos de alta intensidade tecnológica, como equipamentos elétricos, compressores de ar e partes de motor.

Há também as estratégias de destravar negociações com a Índia, as negociações com o Canadá, com previsão de um acordo até o final do ano, e com Singapura, que já entrou em vigor no Uruguai e Paraguai e aguarda tratativas finais no Brasil. Apesar desses países não estarem entre os principais parceiros comerciais, o estado possui grande potencial de comercialização de vários produtos do agronegócio, desde a proteína animal, máquinas agrícolas e papel kraft, como também em setores que possui relação significativa com os EUA, como móveis, madeira e gelatina.

“A diversificação dos mercados é estratégia essencial para reduzir riscos e ampliar oportunidades. Em 2025, Santa Catarina já começou com esse movimento, exportando valores recordes para América do Sul e Oriente Médio, além de vender valores não vistos há anos para Europa, África e Oceania. Portanto, a conclusão desses acordos pode abrir ainda mais novas possibilidades para os exportadores catarinenses e fortalecer a inserção internacional do estado”, conclui Nieheus.