‘Chaga social’: campanha de enfrentamento à violência contra a mulher ganha reforço dentro das empresas

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‘Chaga social’: campanha de enfrentamento à violência contra a mulher ganha reforço dentro das empresas

Associações Empresariais

Comunicação ACI

Autor Comunicação ACI

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A campanha “Aqui Não: empresas unidas pelo respeito e proteção às mulheres”, iniciativa da Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (Facisc) em parceria com o Ministério Público de Santa Catarina, foi apresentada a lideranças da região nesta segunda-feira (1º), em Guaramirim.

O movimento, que articula setor produtivo, poder público e sociedade civil, busca ir além de uma manifestação institucional, propondo uma mobilização contínua contra todas as formas de violência praticadas contra mulheres.

Para marcar o lançamento no Vale do Itapocu, um painel reuniu representantes do Ministério Público, Polícia Militar e da Procuradoria da Mulher da Câmara de Vereadores de Jaraguá do Sul.

Mobilização regional

O objetivo do movimento “Aqui Não” é estimular ações dentro das empresas e, ao mesmo tempo, envolver a comunidade no enfrentamento às estatísticas crescentes de violência de gênero no estado.

A campanha pretende alcançar indústrias, comércios e prestadores de serviços da região, com apoio das associações empresariais de Corupá, Guaramirim, Jaraguá do Sul, Massaranduba e Schroeder. Entre as ações previstas estão a divulgação de canais de denúncia, distribuição de cartazes, conteúdos educativos nas redes sociais, cartilhas e palestras para colaboradores.

Os dados apresentados durante o painel reforçam a urgência do tema. Em 2025, Santa Catarina registrou 36.866 ameaças, 20.872 lesões corporais, 696 estupros e 85 feminicídios. Até abril deste ano, já foram contabilizados 18.305 ameaças, 8.590 lesões corporais, 189 estupros e 22 feminicídios, segundo a Secretaria de Segurança Pública. Especialistas alertam que os números podem ser ainda maiores, já que muitas vítimas não denunciam por medo de represálias, vergonha ou falta de apoio no meio familiar ou profissional.

“Chaga social que precisa ser rompida”, diz vice-presidente da Facisc. “Somente com a participação de todos os setores da sociedade vamos conseguir romper esta cultura. Nosso estado é reconhecido como um dos mais seguros do Brasil, com os melhores indicadores de qualidade de vida, nossa economia é ativa e acolhemos pessoas vindas de todas as regiões, mas ainda convivemos com essa chaga social da violência contra as mulheres”, disse o vice-presidente da Facisc, César Smielevski.

Ele reforçou que o projeto é de longo prazo e prevê novas etapas, incluindo ações com crianças em idade escolar. A campanha também criará um selo para identificar empresas apoiadoras, que poderá ser aplicado em produtos e embalagens.

Além disso, equipes do Jaraguá Futsal e do Criciúma utilizarão camisetas da campanha em competições, ampliando a visibilidade do movimento.

Justiça, prevenção e acolhimento

O promotor de Justiça Guilherme Morelli ressaltou a importância da participação das empresas como espaços de disseminação de informação e acolhimento às vítimas. Ele detalhou o papel do Ministério Público na aplicação de medidas protetivas e punição aos agressores, mas enfatizou que “a prevenção é fundamental para reverter os indicadores”. Ao destacar um quadro preocupante de crescimento dos casos, Morelli adiantou que a região deverá contar, em breve, com uma promotoria exclusiva para atendimento a vítimas de violência contra a mulher.

O delegado Augusto Brandão, da Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso de Jaraguá do Sul, destacou que a mobilização empresarial é um passo decisivo para reduzir os índices de violência. “É extremamente relevante levar conhecimento a todos os ambientes, e nas empresas conscientizar os homens sobre o respeito às mulheres”, afirmou.

Educação, mudança cultural e esforço integrado

Falando sobre a atuação da Procuradoria da Mulher da Câmara Municipal de Jaraguá do Sul, a vereadora Sirley Schapo defendeu que o enfrentamento deve envolver diferentes públicos, não apenas as mulheres. Ela destacou que é essencial ampliar o debate nas escolas e no setor produtivo. “É fundamental que as mulheres aprendam a dizer não, mas também que os homens aprendam a lidar com suas emoções e respeitar quando elas dizem não, deixando de lado emoções que levam à agressão”, reforçou.

A sargento Monalisa Maurissens, da Polícia Militar, apresentou o trabalho da Rede Catarina, que realiza acompanhamento preventivo de mulheres vítimas de violência doméstica. Para ela, o ambiente de trabalho é estratégico: “As pessoas passam a maior parte do dia nas empresas, ambiente que pode reforçar a prevenção e o acolhimento”.

Representando as entidades empresariais, a presidente da ACIAS, Indianara Farias Pereira, destacou que o projeto busca fortalecer uma cultura de integridade no setor produtivo. “Atuando juntos, conseguimos transmitir uma mensagem clara e acessível de que a violência de gênero não pode ser tolerada em nenhum espaço”, afirmou, lembrando que muitas vezes agressor e vítima convivem no mesmo ambiente — seja no trabalho, em casa ou na comunidade.

Cadastro nacional de agressores reforça combate à violência

O enfrentamento à violência de gênero no Brasil ganhará um novo instrumento a partir de julho, com a entrada em vigor do Cadastro Nacional de Pessoas Condenadas por Violência contra a Mulher (CNVM), criado pela Lei nº 15.409/2026. O sistema unificado é considerado um avanço histórico na prevenção e repressão a crimes contra mulheres.
Para a sargento Monalisa Maurissens, o CNVM será uma ferramenta essencial para a atuação policial, desde a abordagem até o encaminhamento ao Judiciário. O promotor Guilherme Morelli também destacou que o cadastro dará mais agilidade aos procedimentos, permitindo acesso rápido ao histórico criminal dos agressores.

O CNVM reunirá informações detalhadas para identificação dos condenados, como nome completo, filiação, endereço, CPF, RG, dados biométricos, grau de parentesco com a vítima e especificação do crime. O sistema abrangerá delitos como feminicídio, estupro, lesão corporal, perseguição (stalking), violência psicológica, importunação e assédio sexual.

Ao centralizar dados antes dispersos entre os estados, o cadastro permitirá respostas mais rápidas do sistema de segurança e maior fiscalização das medidas protetivas. Além de facilitar o monitoramento de reincidentes, o mecanismo deve subsidiar políticas públicas mais eficazes no combate à violência doméstica e de gênero.