Com importações mais de três vezes superiores às exportações, estudo da FACISC entregue ao governo de SC expõe desafios e aponta oportunidades com o acordo internacional.
Santa Catarina mantém uma relação comercial expressiva com a União Europeia, mas os dados ainda indicam um amplo espaço para expansão, especialmente no agronegócio. Nesse contexto, o acordo entre Mercosul e União Europeia surge como uma oportunidade concreta para impulsionar esse intercâmbio e ampliar a presença catarinense no mercado. Um estudo elaborado pela Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (FACISC), entregue ao secretário de Articulação Internacional de Santa Catarina, Paulo Bornhausen, apresenta um diagnóstico estratégico: o estado exporta cerca de US$ 1,4 bilhão para o bloco europeu e importa aproximadamente US$ 4,6 bilhões, cenário que evidencia o potencial de crescimento das exportações e a abertura de novas oportunidades.
Esse cenário também se reflete no avanço das importações provenientes da União Europeia, que mais que dobraram de valor nos últimos cinco anos e acumularam alta de 1.443% em 25 anos. No mesmo período, Santa Catarina avançou da oitava para a quarta posição entre os maiores importadores nacionais de produtos do bloco. A União Europeia tem se consolidado como fornecedora estratégica, especialmente em áreas como saúde, além de atender à crescente demanda por alimentos, bebidas e outros bens essenciais ao bem-estar da população. Também desempenha papel relevante na modernização industrial do estado, com destaque para o aumento na aquisição de maquinários, incluindo equipamentos voltados às indústrias têxtil e de alimentos.
O movimento tende a se intensificar com o novo acordo, o que amplia a oferta de produtos para a população e facilita o acesso da indústria a maquinários. Ao mesmo tempo, é fundamental que esse avanço venha acompanhado de medidas que garantam a rentabilidade e o desenvolvimento do produtor local.
No campo das exportações, Santa Catarina ocupa atualmente a 11ª posição entre os estados brasileiros que mais vendem para o bloco, três posições abaixo do início dos anos 2000. O volume exportado para a União Europeia hoje é 31% inferior ao registrado em 2008, movimento influenciado principalmente pela redução nas vendas do agronegócio. Após atingir o pico de US$ 1,5 bilhão naquele ano, as exportações do setor recuaram gradualmente e atualmente somam cerca de US$ 809 milhões.
Produtos como móveis, obras de carpintaria, papel kraft e partes de calçados registraram quedas significativas nas últimas duas décadas. Outros segmentos, como gelatina, tabaco não manufaturado e conservas de carne, também operam em níveis inferiores aos de dez anos atrás. Há ainda setores que enfrentam barreiras sanitárias e hoje têm presença reduzida, ou inexistente, no mercado europeu, como as cadeias de peixe e carne suína.
“É nesse cenário que o acordo entre Mercosul e União Europeia ganha relevância estratégica. O estudo entregue pela FACISC ao governo do Estado indica que a iniciativa pode representar uma virada de chave, com potencial para recuperar níveis de exportação, ampliar a presença do agronegócio catarinense, que já respondeu por quase 80% das vendas ao bloco e hoje representa cerca de 60%, além de reabrir mercados atualmente limitados por barreiras sanitárias e diversificar destinos comerciais, o que reduzirá a dependência de outros países, especialmente dos Estados Unidos”, explica o diretor de Relações Internacionais da federação, Evaldo Niehues Júnior.
Além disso, o acordo tem potencial para impulsionar ainda mais as exportações catarinenses, que já vêm apresentando crescimento consistente nas relações com a União Europeia, especialmente em segmentos de bens de capital, carne de aves e de madeiras compensadas e serradas.
Os setores intensivos em tecnologia, por exemplo, já respondem por 39% das exportações ao bloco, praticamente o dobro do registrado há duas décadas, evidenciando um avanço significativo na sofisticação da economia do estado. Nesse contexto, áreas como equipamentos elétricos, partes de motores, compressores de ar, iates, reboques e produtos químicos despontam como vetores com forte potencial de expansão.
Para o presidente da FACISC, o momento exige planejamento e visão de futuro. “Santa Catarina tem capacidade produtiva, qualidade e competitividade para ampliar sua presença no mercado europeu. Hoje a Federação é responsável por mais de 90% da emissão dos certificados de origem no estado, documento que comprova a procedência brasileira dos produtos exportados e permite a redução ou até isenção de impostos nos países de destino por meio de acordos comerciais. Isso mostra que já temos estrutura e protagonismo para avançar ainda mais”, pontua ele.

Entre perdas ao longo das décadas e oportunidades que se abrem, o estado se encontra diante de um momento decisivo: transformar uma relação comercial desigual em uma estratégia sólida de crescimento internacional.













