Evento gratuito reuniu acadêmicos e profissionais da saúde para discutir os impactos da dor e abordagens modernas de tratamento
O Núcleo de Atividades Físicas da Associação Empresarial de Brusque, Guabiruba e Botuverá (ACIBr) promoveu, na manhã de sábado, 23 de maio, o workshop “Dor: como surge e por que muitas não vai embora?”, ministrado pelo fisioterapeuta, biólogo, mestre em Neurociências e especializado no tratamento da dor, Tiago Batschauer. Realizado, no auditório do bloco F da Unifebe, o encontro reuniu acadêmicos e profissionais da área da saúde para discutir os mecanismos da dor, os impactos da dor crônica e estratégias atuais de prevenção e tratamento.
Durante a programação, os participantes acompanharam reflexões sobre a relação entre dor, cérebro, comportamento e exercício físico, além de demonstrações práticas e momentos voltados à troca de experiências e esclarecimento de dúvidas.
Um olhar além da dor física
De acordo com a coordenadora do Núcleo, Caroline Comandolli Maffezzolli, o workshop surgiu da necessidade de ampliar a compreensão dos profissionais sobre a dor e seus diferentes fatores envolvidos.
Segundo ela, embora os cursos da área da saúde abordem patologias e aspectos técnicos do tratamento, compreender a realidade do paciente também é essencial para resultados mais efetivos.
“A dor do profissional hoje também é entender a dor do paciente. Muitas vezes aprendemos sobre patologias e tratamentos, mas é preciso compreender todos os aspectos biopsicossociais envolvidos naquela pessoa, entender sua rotina, como ela trabalha, como vive e quais fatores podem influenciar no quadro doloroso”, destacou.
Caroline ressaltou ainda que a proposta do evento também foi aproximar os acadêmicos de conteúdos atualizados ainda durante a graduação, contribuindo para uma formação mais humanizada e alinhada às demandas do mercado.
“Quando o estudante entra no mercado de trabalho já tendo contato com esse tipo de abordagem, ele consegue lidar melhor com situações que envolvem dor e atendimento ao paciente. Além disso, muitos profissionais já formados buscam atualização sobre esse tema, justamente porque o entendimento sobre dor evoluiu muito nos últimos anos”, completou.
Dor não é sinônimo de lesão
Ao longo do workshop, Tiago Batschauer apresentou conceitos fundamentais sobre o funcionamento da dor e destacou a importância de desconstruir algumas crenças ainda muito presentes entre pacientes e até em profissionais da saúde.
Segundo ele, uma das principais propostas da palestra foi justamente explicar que dor nem sempre significa lesão ou dano físico.
“Hoje sabemos que dor não é sinônimo de machucado. Muitas pessoas associam automaticamente a dor a uma lesão e isso acaba gerando medo e afastamento de atividades importantes, como o exercício físico. Se a pessoa acredita que toda dor significa que ela está se machucando, ela tende a evitar movimento e isso pode agravar ainda mais o quadro”, explicou.
O palestrante também abordou os diferentes mecanismos da dor e ressaltou que cada tipo possui características específicas e, consequentemente, diferentes formas de tratamento.
“O workshop busca responder três grandes perguntas: o que é a dor, quais tipos de dor existem e por que algumas dores desaparecem enquanto outras persistem durante anos. Hoje sabemos que existem muitos fatores envolvidos nesse processo e compreender esses contribuintes é fundamental para um tratamento mais eficiente”, afirmou.
Dor crônica e impactos na qualidade de vida
Outro ponto destacado durante a palestra foi o impacto da dor crônica na rotina e na qualidade de vida da população. Conforme Tiago, a dor está entre as principais causas de procura por atendimento em saúde e representa uma das condições que mais geram incapacidade no mundo.
“Cerca de 70% das pessoas procuram atendimento em saúde por causa da dor. Além disso, dentre todas as doenças, a dor crônica é a condição que mais produz anos vividos com incapacidade. Ela interfere no trabalho, nas atividades do dia a dia, na locomoção, no lazer e até nas relações familiares”, destacou.
Para ele, discutir o tema com acadêmicos e profissionais da saúde é essencial para formar atendimentos mais preparados e humanizados.
“Quanto mais os profissionais compreenderem a complexidade da dor, mais preparados estarão para atender pacientes de maneira individualizada e eficiente. A dor envolve aspectos físicos, emocionais e sociais, e isso precisa ser considerado durante o tratamento”, finalizou.





















