Facisc reforça defesa dos produtores na Comissão de Agricultura diante da crise da cebola

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Facisc reforça defesa dos produtores na Comissão de Agricultura diante da crise da cebola

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Comunicação FACISC

Autor Comunicação FACISC

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Em um cenário que mistura liderança produtiva e prejuízo no campo, a crise da cebola em Santa Catarina ganhou força no debate público durante reunião da Comissão de Agricultura e Desenvolvimento Rural da Assembleia Legislativa, realizada na manhã desta quarta-feira (25). Representando o setor produtivo, a Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (FACISC) levou dados, preocupações e propostas concretas para enfrentar uma realidade que já compromete a sobrevivência de milhares de famílias.

Mesmo sendo líder na produção de cebola, responsável por 32% da quantidade produzida no Brasil, o estado vive um paradoxo: produção alta, mas renda insuficiente. O preço pago ao produtor não cobre os custos, e, na prática, muitos agricultores acumulam prejuízos safra após safra.

A situação já levou municípios como Ituporanga, Atalanta, Chapadão do Lageado, Imbuia e Alfredo Wagner a decretarem situação de emergência. Um reflexo direto do impacto econômico e social da crise, especialmente no Alto Vale do Itajaí, principal polo produtor.

E essa realidade no campo foi reforçada no relato de quem vive a crise diariamente. O produtor de cebola de Ituporanga, Arny Mohr, destacou a gravidade do cenário enfrentado nos últimos anos. “Estamos vindo de dois anos muito difíceis, sempre abaixo do custo de produção. Eu nunca tinha visto uma situação como essa. Hoje, estamos recebendo cerca de 50% do custo para produzir. Enquanto o custo gira em torno de R$ 1,40 a R$ 1,50 por quilo, estamos vendendo por R$ 0,70, R$ 0,80, e às vezes, pouco mais de R$ 1,00, mas isso ainda é uma média, porque existem diferentes classificações da cebola”, relata.

Além do impacto financeiro, o produtor também chamou atenção para os efeitos sociais da crise no campo. “São dois anos que estão mexendo com o psicológico do agricultor. Muitos estão vendendo patrimônio, maquinário, até parte das terras para pagar as contas. E fica a pergunta: como motivar os filhos a permanecerem na propriedade diante dessa realidade?”, completa Mohr.

O cenário relatado pelo produtor reforça o diagnóstico apresentado pela FACISC durante a reunião, que apontou que o problema vai além do campo e chamou atenção para os fatores que pressionam o setor, como a combinação de supersafra com o aumento das importações, o que derruba ainda mais os preços pagos. Em muitos casos, o valor recebido está até 25% abaixo do custo de produção, com perdas que podem chegar a R$ 15 mil por hectare.

Na fala do presidente Elson Otto, o posicionamento foi direto e enfático: “Estamos aqui para ser a voz do setor produtivo. Diante desse cenário, defendemos a adoção de medidas emergenciais e estruturantes, como o fortalecimento dos mecanismos de defesa comercial, o apoio imediato aos produtores, a criação de linhas de crédito específicas, a prorrogação de dívidas e ações que garantam condições justas de competitividade para a produção catarinense”, enfatiza ele. 

Outro ponto importante debatido foi a necessidade de estabelecer um padrão estadual de classificação da cebola, com critérios claros e uniformes, trazendo mais equilíbrio às relações comerciais.

Como encaminhamento, será realizada uma audiência pública em Ituporanga, aproximando ainda mais o debate da realidade dos produtores e buscando alternativas viáveis para o setor.

Crise do leite também preocupa a Federação

Após a reunião da Comissão de Agricultura, a FACISC esteve no gabinete do deputado Altair Silva para tratar da situação da cadeia do leite, que enfrenta desafios semelhantes aos da cebola. Na ocasião, foi entregue um estudo técnico desenvolvido pela entidade, que contribui para a construção de soluções baseadas em dados.

“O estudo apresentado pela FACISC é extremamente relevante. Quero parabenizar a entidade pela qualidade técnica, pela responsabilidade e pelo compromisso com o desenvolvimento de Santa Catarina. Esse material nos dá base concreta para avançarmos em decisões mais assertivas, especialmente diante dos desafios que o setor enfrenta”, destaca o deputado Altair Silva.

Ficou alinhado ainda que, em breve, a FACISC participará da Comissão de Agricultura e apresentará o Mapa do Agro 2026, que será lançado em maio, trazendo um panorama detalhado sobre a dimensão, os impactos e as oportunidades do agronegócio catarinense.