Santa Catarina registrou o terceiro maior saldo de empregos do país nos setores da construção e do comércio nos seis primeiros meses do ano, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregado (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego, analisados pela Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (Facisc). O resultado se destaca no Brasil, especialmente porque ambos os setores mantiveram ou ampliaram o nível de empregos em relação ao primeiro semestre de 2024.
No setor da construção, foram abertas mais de 12,1 mil novas vagas, o que representa cerca de 8% do total nacional e um crescimento de 5% em comparação ao mesmo período do ano anterior, enquanto a média nacional caiu 12% o saldo de contratações.
O Vale do Itajaí foi o principal propulsor desse desempenho. A região ocupa a quarta colocação nacional na geração de empregos no setor da construção no primeiro semestre, com 6 mil novas vagas, e fica atrás apenas das regiões metropolitanas de São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro.
O vice-presidente Regional do Vale do Itajaí, Rinaldo Araújo, explica que o setor da construção catarinense segue apresentando dinamismo no mercado de trabalho formal, mesmo em um cenário nacional desafiador com taxas de juros elevadas que inibem os financiamentos. “A valorização imobiliária que ocorre tanto em municípios que já compõem o ranking nacional (Itapema e Balneário Camboriú), como de outros que vem surpreendendo em ritmo de crescimento, como Itajaí e Porto Belo, vem contribuindo para o resultado.”.
O crescimento é puxado principalmente pelas etapas intermediárias e finais do setor. Obras de alvenaria registraram um aumento de 86% no saldo de contratações, enquanto a aplicação de revestimento de resinas cresceu 377%. Segmentos como pintura e instalação de portas, janelas e tetos tiveram alta superior a 50% na geração de vagas. No mês de junho, Santa Catarina liderou nacionalmente a geração de empregos nas obras de acabamento. Além do Vale do Itajaí, cidades como Joinville, Blumenau, São José e Nova Trento também registraram desempenho expressivo.
Crescimento no comércio
No comércio, foram criadas 6,7 mil novas vagas no período, mantendo praticamente o mesmo nível de empregos do 1º semestre de 2024.
“O aquecimento do mercado de trabalho, somado ao aumento do poder de compra das famílias catarinenses, têm mantido o crescimento no nosso comércio acima da média nacional”, avalia o presidente em exercício da Facisc, César Smielevski.
O segmento de atacado respondeu por mais de 50% das vagas, impulsionado pelo aumento nas vendas de artigos de uso pessoal e doméstico, com destaque para regiões como Joinville, Tijucas e Jaraguá do Sul.
O atacado não especializado de alimentos registrou saldo positivo acima de 500 vagas, com destaque para Chapecó, Gaspar e Içara. Outro segmento que se beneficiou foi o comércio de madeira e ferragens, influenciado pelo setor da construção, especialmente em Itajaí, São José, Brusque e Palhoça.
Queda no saldo de empregos da indústria e serviços
Em contrapartida, houve queda de 27% no saldo de vagas dos serviços, impulsionada tanto pela queda na empregabilidade de atividades administrativas e de transporte terrestre. A indústria também registrou desaceleração no saldo de vagas, com queda de 17% em relação ao mesmo período de 2024. As maiores quedas foram registradas em setores que produzem bens de capital (e sentem mais os efeitos da taxa de juros elevadas), como o automotivo e de equipamentos elétricos, mas também em outros setores como o de produtos plásticos e químicos.











