EMPREENDEDORISMO, CORAGEM, E ACIMA DE TUDO, O AMOR DE GERSON MAFFI
Desde muito jovem, Morgana Rezzadori Câmara acompanhava a rotina da empresa da família. Na garagem de casa, onde tudo começou, ela observava o pai, Ladair, e já se envolvia em tudo, sempre com vontade de ajudar a manter o negócio em ordem.
Anos depois, aquela jovem menina se tornaria Empresária do Ano 2025 pela ACIC.
A relação com o pai sempre foi marcada por parceria e afeto. É dessa época que Morgana recorda uma das passagens do início de sua trajetória profissional: “Mogui, cadê o pedido do cliente?’’, falava Ladair enquanto ela circulava pela garagem. Naquele mesmo espaço e com vontade de ver tudo dar certo, ela escondia pedidos de clientes que estavam em débito, um gesto espontâneo de quem queria proteger o negócio e ajudar o pai a manter tudo em ordem. Era sua maneira de começar a implantar processos par a estrutura que estavam tentando erguer.
A sua mãe, Genilda, também teve presença essencial na trajetória da família. Um momento marcante foi quando Morgana contou que estava grávida aos 19 anos. O pai reagiu com apoio. “Isso é uma vida, não é uma morte”, disse, abraçando e apoiando a filha. Genilda faleceu em 2020, deixando um legado de amor e união que ainda guia a família.
Hoje, casada com Leandro e mãe da Natália, Morgana lidera, ao lado da irmã Angelisa junto com sua filha uma distribuidora que atua em Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná, e que já se prepara para expandir ainda mais. “Sempre fui de ir para a linha de frente. Saímos de uma garagem para o que temos hoje”, afirma.
A irmã mais velha, Raquel, seguiu outro caminho profissional, enquanto Morgana assume que, desde cedo, acumulou responsabilidades importantes. “Meu pai confiava muito em mim. Muitas vezes eu estava sozinha no depósito da casa, cuidando da Natália, emitindo nota, carregando mercadoria. Se precisava fazer entrega, eu ia. Já fiz de tudo. Para mim, o que importava era fazer acontecer.”
Quase aos 50 anos, Morgana fala com maturidade sobre a trajetória. “Claro que enfrentamos obstáculos. Lidamos com momentos em que a ansiedade e a preocupação tomam conta, decisões que não esperam para ser tomadas, mas tudo faz parte do aprendizado. A maturidade é exalada em cada palavra da empresária com expressão do rosto ainda jovem, no entanto, cheio de memórias. “Claro que muita coisa não deu certo. Tivemos problemas, decisões difíceis de tomar, mas a experiência vai nos ensinando, fortalecendo, mostrando o caminho e vamos melhorando. Lidando com as adversidades do mercado, com os momentos políticos e econômicos.”
No mesmo período em que a empresa avançava, a família enfrentava um momento profundamente desafiador com o diagnóstico de câncer da mãe. “Foi muito difícil. Ela sempre esteve conosco. Era nossa referência e o pilar da nossa família”, conta Morgana. Genilda faleceu ainda em 2020, deixando memórias que seguem presentes na rotina das filhas.
Para 2026, os planos incluem fortalecer a atuação em Santa Catarina e consolidar o crescimento da marca em toda a região Sul. “Vai ser um dos anos mais trabalhosos que já tivemos. Mas é isso que me move. E temos pessoas incríveis construindo essa história com a gente, sem elas, não construiríamos nada. Gosto de estar presente, de fazer acontecer, desafios e momentos de crise me impulsionam. Então estamos prontas para fazer ainda mais e melhor.”
FOTO 01– Angelisa, Moragana e Natália lideram a empresa em família. (Foto: Débora Favretto/ MB Comunicação).
Empreendedorismo, coragem, e acima de tudo, o amor de Gerson Maffi
O corredor longo leva até uma sala ampla com carpete. Logo na entrada é possível ver os quatro netos João Luiz, Vicente, Heitor e Arthur, ainda pequenos, em fotos tamanho real na parede. “Acima de tudo, a família. Esse é o meu maior legado. Meus filhos e netos são meu maior orgulho”, falou o Empresário do Ano de 2025 da ACIC, Gerson Luiz Maffi.
Tão grande quanto o sucesso, os corredores e as salas lideradas por Maffi na Hightech – Máquina Industriais, seu maior amor é demonstrado nas lágrimas quando ele toca no nome da Regina. “Estivemos juntos por 55 anos. No próximo ano, faríamos 50 anos de casados. Eu acho que vou fazer essa festa que ela queria, mesmo sem ela, com meus filhos e amigos. Ela dizia que, depois da festa, ia se separar”, Maffi ri enquanto se emociona. “Foi ela quem me ajudou a chegar onde cheguei. Tudo que consegui foi com o apoio dela. Desde os 18 anos até agora. Estivemos juntos em tudo.” O casal teve dois filhos Daniel e Raquel. Regina adoeceu e faleceu em agosto de 2025.
Aos 73 anos, o empresário, que nasceu em Santa Maria (RS) e se formou em Engenharia Mecânica, se assemelha a um adolescente em energia ao contar sobre a jornada que o trouxe até aqui. Maffi se mudou para Santa Catarina em 1976, passou por Videira antes de se fixar em Chapecó, em 1989. “Na época, a cidade era muito pequena. Eu vi Chapecó crescer e se transformar. Fiz a minha própria mudança nessas caixas de supermercado de plástico”.
O entusiasmo cresce quando Maffi aborda sobre os investimentos realizados. “Já tive caminhões, transporte. Em determinado momento, tive 14 caminhões. Mas, quando não era mais um bom negócio, me desfiz deles. Depois, investi em câmaras frias. Fizemos a Safrio, aquele armazém frigorífico lá no trevo. Logo depois, como minha filha foi estudar em Itajaí, comecei uma empresa lá, também na área frigorífica.”
Mesmo após décadas de trabalho e conquistas, ele mantém o ânimo por novos desafios. “Na semana passada, tu deves ter pensando ‘que que esse cara estava fazendo no Paraguai?’, fui para lá iniciar uma nova empresa”, conta.
Apesar das dificuldades ao longo do caminho, Maffi diz que nunca quis desistir. “Viajei muito, enfrentei estradas ruins, desafios, mas nunca pensei em parar. Nem mesmo agora, depois do que aconteceu com a Regina.”
A veia empreendedora, segundo o empresário, veio do pai. “Dentro do que ele podia, sempre buscou crescer. Eu consegui ir além, e acredito que meus filhos irão ainda mais longe”, comenta. Hoje, seus filhos atuam ao seu lado nos negócios. “Essa é minha maior felicidade.”
Maffi acredita que é necessário ter pessoas de confiança na vida empresarial. “Segundo, investir no próprio negócio. Sempre reinvestir. Muita gente me diz: ‘você poderia ter isso ou aquilo.’ Pode até ser, mas prefiro manter os pés no chão. Também é essencial ser correto com os outros. Fiz isso a vida toda. Já ajudei pessoas que depois viraram minhas inimigas. Por outro lado, tive amigos que permaneceram até o fim, mesmo quando disse ‘não’ a eles. Procuro ser justo, não avarento.”













