Turismo sustentável leva quatro municípios catarinenses ao prêmio “People’s Choice Award”




Reconhecidos internacionalmente na premiação TOP 100 Sustainabililty Stories, que premia histórias de sustentabilidade, oito municípios brasileiros concorrem à escolha popular da melhor história de boas práticas no prêmio “People’s Choice Award”. Os destinos têm em comum o Programa DEL Turismo da Facisc e destes, quatro destinos são catarinenses.

Concorrem ao prêmio Orleans (SC); Forquilhinha (SC); Bombinhas (SC); Itá (SC); São Miguel do Gostoso (RN); Tibau do Sul (RN); Tibau (RN); Canguçu (RS).

Entre os oito municípios que concorrem à escolha popular, três são finalistas nas categorias: Natureza e Ecoturismo (Orleans – SC), Reiniciar e recuperar o turismo (Tibau – RN) e Meio Ambiente e Clima (Praia da Pipa- Tibau do Sul- RN) e serão avaliados por uma comissão julgadora.

 A premiação acontecerá em março, durante a ITB Berlin, Alemanha, uma das maiores feiras de turismo do mundo.

 

Orleans – Movimento mobiliza sociedade civil e poder público para preservação da natureza

Com uma localização privilegiada entre o Mar, as  Termas, a Serra do Rio do Rastro e o Planalto Serrano,  Orleans é uma cidade que se destaca entre um complexo de cultura originada também por outras etnias, como: alemã, polonesa, leta e portuguesa.

De colonização italiana, a cidade tem investido no turismo sustentável e a indicação ao prêmio se deve em boa parte pelas ações promovidas pelo Movimento Orleans Viva – Guardiões da montanha (MOV) , um movimento popular com a preocupação da possibilidade de retorno da mineração de carvão em Orleans. “Nosso movimento começou em 2018 a partir de uma preocupação imediata com as investidas da indústria carbonífera no estado. Na época, as áreas de devastação por conta da extração do carvão alcançariam locais onde o município capta água para distribuir para toda a população, e também de cidades vizinhas já devastadas pelo carvão. Desde então foram realizadas várias ações para esclarecer a população acerca do que poderia ocorrer caso a exploração de carvão fosse realizada, ressaltando sempre o potencial turístico do Costão, além é claro da importância da preservação da natureza para continuarmos a usufruir de água potável”, explica Francisco Bett Bussolo, voluntário do MOV. 

O movimento ganhou força com a participação das escolas e entidades do município. “As  ações do MOV ganharam visibilidade e ajudaram a dar o sentido de pertencimento da população com o Costão, que é a região do interior do município com grande potencial turístico dada a cadeia de montanhas que possui. É uma paisagem incrível e que merece ser protegida”, relata Tchesco, como é conhecido Francisco Bett Bussolo.

O MOV visa incentivar e apoiar o ecoturismo, o turismo rural e a agricultura familiar sustentável. Por meio do movimento são realizadas ações de educação ambiental, valorizando as belezas cênicas da cidade e incentivando o desenvolvimento do agroecoturismo, como por exemplo, o evento “Mulheres na Montanha” evento, uma caminhada realizada por cerca de 100 mulheres na encosta da montanha com o objetivo de elevar consciência sobre os impactos da mineração de carvão, preservação de nossas belezas naturais e consequências para o turismo local; e o “Encontro em Três Barras”, que teve como objetivo divulgar informação e diálogo aberto sobre os impactos da mineração, organização da sociedade civil e ecoturismo e turismo rural.

Hoje o movimento conta com o apoio do prefeito, secretários, vereadores, que são contra a exploração de carvão mineral em Orleans e a favor do desenvolvimento do turismo de natureza, beneficiando uma população regional de 177.890 habitantes.

Curiosidades históricas

A região onde hoje está sediada a cidade de Orleans era parte da Colônia de 98 léguas, dada por D. Pedro II por ocasião do casamento de sua filha Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela Gonzaga de Bourbon-Duas Sicílias e Bragança (Princesa Isabel), com o príncipe francês naturalizado brasileiro Gastão de Orleans (Conde D´Eu)

Nas terras outrora ofertadas como presente de casamento, que mais tarde passou a se chamar Colônia Grão Pará, hoje podemos avistar a existência de várias cidades independentes, que praticamente circundam o Parque Nacional da Serra de São Joaquim.

O nome da cidade foi em homenagem ao príncipe consorte de D. Isabel Cristina e foi colonizada, desde seus primeiros tempos, por italianos. Só mais tarde vieram os alemães, poloneses e de demais países europeus.