Santa Catarina alcançou, no terceiro trimestre, o maior número de pessoas ocupadas de toda a série histórica. Ao todo, 4,5 milhões de catarinenses estão inseridos na economia, seja no mercado formal ou informal. Os dados são da PNAD Contínua Trimestral, do IBGE, com análise da Facisc.
A principal força por trás desse resultado vem do avanço do trabalho por serviços especializados e por demanda, que também registrou recorde. O crescimento nos serviços imobiliários, financeiros, administrativos e profissionais, que tiveram aumento de 23% no número de autônomos em relação ao mesmo período do ano passado chama atenção.
O diretor jurídico da Facisc, Thiago Cipriani, explica que esse movimento reflete a busca das empresas por alternativas mais flexíveis. “Com a desaceleração e as incertezas geopolíticas, muitas empresas têm adotado profissionais por conta própria para reduzir custos e ajustar seus processos gerenciais”, afirma.
Mesmo com a queda de 3% no volume de vendas dos serviços prestados às famílias no trimestre, Santa Catarina registrou o segundo maior crescimento do país nos serviços profissionais e administrativos, 12% acima do resultado do terceiro trimestre de 2023. “O dado mostra que, apesar do impacto dos juros elevados, os serviços catarinenses de apoio às empresas continuam impulsionando a economia”, explica Thiago.
Esse avanço favorece tanto serviços de alta qualificação, como advocacia, contabilidade, TI, arquitetura e engenharia, quanto funções essenciais ao funcionamento das empresas, como atividades de escritório, apoio administrativo e locação de mão de obra.
O contabilista José Carlos de Souza, da JCS Contabilidade, observa que os profissionais autônomos estão mais atentos à gestão. “O autônomo busca mais orientação, procura formalizar o negócio e entende que organização financeira deixou de ser opção para quem quer crescer”, destaca.
Agropecuária também eleva o número de trabalhadores por conta própria
A expansão da produção agropecuária e a diversificação dos parceiros comerciais internacionais contribuíram para elevar o número de trabalhadores por conta própria no campo, que registrou crescimento de 7% em relação ao terceiro trimestre do ano passado.
O avanço é mais evidente na criação de bovinos e suínos, no cultivo de fumo, em lavouras permanentes e na produção de sementes e mudas certificadas.
Para o diretor de Agronegócios da Facisc, Lenoir Broch, o setor vive um momento favorável.“O produtor catarinense incorporou novas tecnologias e vem ampliando mercados. Isso abre espaço para modelos mais independentes e reforça o papel do campo como gerador de oportunidades”, afirma.




