Missão a Alemanha reforça as raízes e a força do associativismo

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Missão a Alemanha reforça as raízes e a força do associativismo

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Comitiva visita Munique e revisita a origem alemã dos núcleos setoriais de associações empresariais

Entre os dias 27 de fevereiro e 7 de março, cerca de 20 líderes, executivos e empreendedores catarinenses participaram de uma missão empresarial em Munique, na Alemanha, organizada pela Fundação Empreender, em parceria com a Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (Facisc). O objetivo da viagem foi promover uma imersão na cultura de ofícios e na inovação técnica do país europeu, além de realizar um resgate histórico do modelo de associativismo que há décadas inspira e molda o desenvolvimento das empresas em Santa Catarina.

O sistema de núcleos setoriais, hoje amplamente consolidado no Brasil como ferramenta de desenvolvimento para pequenas e médias empresas, possui um forte DNA alemão. Jonathan Roger Linzmeyer, coordenador de Relações Internacionais da Fundação Empreender, explica que a viagem buscou levar as atuais lideranças da Facisc e de associações empresariais de diferentes cidades de Santa Catarina para conhecerem de perto essa origem. “A Fundação Empreender surgiu há 34 anos em parceria com a HWK (Câmara de Artes e Ofícios de Munique e Alta Baviera), e foi graças a essa união com a Alemanha que trouxemos os núcleos para o Brasil”, destaca. A visita, no entanto, trouxe uma constatação: o aluno, em muitos aspectos, superou o mestre.

Para Leonardo Celeski, vice-presidente da Associação Empresarial de São Bento do Sul (Acisbs) e integrante da comitiva, o intercâmbio provou que o estado não está atrás da Europa. “Nós conseguimos pegar esse modelo, adaptar para a nossa realidade e melhorar. Hoje, estamos adiantados nesse modelo associativista em relação à própria Alemanha”, avalia.

Celeski aponta uma diferença fundamental entre os dois países: enquanto o sistema alemão é subsidiado pelo governo estadual, no Brasil a engrenagem funciona de forma 100% voluntária, financiada pelas próprias empresas e sem dinheiro público. “De tão bom que o negócio ficou, funciona muito bem de modo voluntário. Os núcleos são organismos vivos dentro da associação empresarial, são eles que bombeiam o sangue e dão essa oxigenada, melhorando a economia setorial, a competitividade das empresas e a capacitação dos empreendedores”, ressalta o vice-presidente.

Para quem atua na linha de frente na gestão desses grupos, a experiência internacional materializou a teoria. Caroline Fabiane Pieckocz, coordenadora em Gestão de Núcleos Empresariais da Acisbs, descreve a vivência como reveladora. “Grande parte da metodologia de cooperação empresarial que aplicamos hoje no Brasil tem inspiração nesse modelo alemão. Poder conhecer de perto a HWK foi muito importante justamente para entender na prática de onde vêm as bases do trabalho que desenvolvemos no dia a dia”, relata.

Um dos grandes aprendizados da missão, segundo os participantes, foi desmistificar o conceito alemão de “artesanato” (Handwerk). Celeski explica que, diferentemente do Brasil, onde o termo remete quase que exclusivamente a trabalhos artísticos manuais, na Alemanha ele engloba toda profissão técnica executada com as mãos. Isso inclui desde a panificação até eletricistas e trabalhadores da construção civil e do setor metalmecânico. Essa visão estruturada é sustentada por um sistema educacional dual, que une teoria e prática desde a educação básica da criança alemã até a sua entrada no mercado de trabalho.

Volta às origens

Para o presidente da Facisc, Elson Otto, a missão reforçou as raízes do associativismo catarinense. Ele explicou que a parceria com a HWK, que completa 35 anos, foi fundamental para trazer ao Brasil o modelo de núcleos setoriais que hoje fortalece as associações empresariais e o desenvolvimento das pequenas e médias empresas em Santa Catarina. “Além de revisitar essa origem, a missão também permitiu uma troca importante de experiências sobre desafios atuais, como a falta de mão de obra qualificada, um problema que hoje também preocupa a Alemanha. Esse intercâmbio mostra a força do associativismo e como a cooperação internacional pode gerar aprendizado e inovação para o nosso sistema empresarial”, destaca.

Feira multissetorial

Toda essa grandiosidade dos ofícios teve seu ápice na Internationale Handwerksmesse (IHM), feira multissetorial realizada desde 1949. Jonny Zulauf, vice-coordenador de Relações Internacionais da Fundação Empreender, pontua que a instituição cumpriu seu propósito de inserir os brasileiros em um verdadeiro centro de excelência. “Vimos desde trabalhos em decoração e joias até pequenas peças de maquinário e elementos da indústria automobilística”, detalha.

Para dimensionar o evento ao público são-bentense, Leonardo Celeski faz um paralelo prático: “É uma feira muito grande, dá para dizer que equivale a umas cinco Promosul. Embora seja voltada ao consumidor final, foi muito interessante para termos contato com os materiais e produtos de lá”.

Ao final da jornada, que ainda incluiu encontros com autoridades locais para deixar portas abertas a futuros negócios, o saldo ultrapassa o mero intercâmbio tecnológico. Trata-se de uma renovação de propósitos. “Volto com muitos aprendizados, novas referências e, principalmente, com ainda mais motivação e orgulho de continuar trabalhando pelo fortalecimento do associativismo”, conclui Caroline, sintetizando o espírito de uma missão que honrou o passado para projetar o futuro.

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