Imersão em Pernambuco traz a Santa Catarina um roteiro prático para associações mais estratégicas

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Imersão em Pernambuco traz a Santa Catarina um roteiro prático para associações mais estratégicas

Associativismo

Comunicação FACISC

Autor Comunicação FACISC

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Escolher poucas prioridades e sustentar entregas ao longo do tempo: esse foi um dos principais aprendizados que 22 profissionais catarinenses trazem de uma semana de imersão técnica “Gestão, Inovação e Desenvolvimento Territorial”, em Pernambuco, missão promovida pela Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (Facisc) entre os dias 13 e 18 de setembro. Foram 17 executivos de Associações Comerciais e Industriais (ACIs) e cinco integrantes do time Facisc, em uma agenda de visitas técnicas por Recife, Olinda, Suape e Tamandaré.

“O grupo reuniu associações de portes bem diferentes, de entidades com até 70 empresas filiadas a outras com mais de mil, retrato da diversidade de realidades e experiências que o movimento associativo catarinense carrega e que a viagem ajudou a colocar em diálogo”, explica Poliana de Oliveira, diretora de Capacitação da Facisc.

A viagem faz parte do programa Imersões Facisc, criado para aproximar executivos do Sistema Facisc de referências nacionais em gestão e inovação para converter o aprendizado em prática nas associações e nos territórios onde atuam.

Território como plataforma

O primeiro contato com o ecossistema de Pernambuco aconteceu no CESAR e no Porto Digital, hub que reúne 475 empresas de tecnologia e economia criativa, responde por 21,5 mil empregos diretos e faturou R$ 6,2 bilhões em 2024. Uma tese se repetiu ao longo da semana: cidades e associações que usam uma dor histórica — no caso de Recife, a perda de protagonismo econômico ao longo do século 20 — como combustível para uma estratégia de longo prazo.

“Foi surpreendente conhecer o CESAR, um projeto fantástico que deu nova vida à cidade do Recife e que tem uma abordagem multidisciplinar, com inovação, arquitetura, bem-estar e desenvolvimento de startups”, resume Maria Julita Volpato Gomes, diretora executiva da Associação Empresarial de Criciúma (Acic). “Foi um dia intenso, com muita informação, mas dá para compartilhar isso com as empresas como uma oportunidade de desenvolvimento e inovação.”

Foco como estratégia de entrega

No segundo dia, a pauta girou em torno de governança pública e privada, com visitas à Emprel, à Secretaria de Transformação Digital, Ciência e Tecnologia (Secti) e à Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Recife (Sdec). Um resumo simples ficou como aprendizado central para os executivos catarinenses: “começar menos e terminar mais”. A lógica parte de um princípio direto, capacidade de entrega é um recurso estratégico, e escolher bem onde investir esse recurso é o que faz cada prioridade entregar valor de fato. Outro ponto de convergência foi o papel da associação, que orquestra o ecossistema em torno de poucos desafios prioritários, em vez de tentar prestar sozinha todos os serviços, postura que coloca o “nós” à frente da disputa interna e concentra energia no impacto sobre o território.

Patrimônio como ativo, não só memória

A visita à Associação Comercial de Pernambuco (ACP), fundada em 1839, reforçou outro fio condutor da semana. O patrimônio das entidades como ativo estratégico, não apenas como memória.

“O patrimônio tem uma visão para ser administrado e preservado para as próximas gerações. Com essa visão, a gente tem um trabalho muito forte de recuperação do patrimônio: fizemos recentemente o restauro das quatro fachadas do nosso edifício, o que atrai o olhar de toda a sociedade e amplia o número de associados”, relata Marciane Gaspararin, executiva da Associação Empresarial de São Miguel do Oeste (Acismo), sobre a experiência da própria entidade.

A comparação com outras realidades também rendeu reflexão. “Eles têm aqui a gastronomia, mas também a parte de turismo. Com o turismo, captaram recursos para investir na associação empresarial e usam isso em momentos festivos, como o Carnaval e a festa de São João, para atrair turistas e mostrar esse espaço. Olhando para essa realidade, a gente pode se espelhar bastante”, avalia Cristiane Brusco Schwartz, secretária executiva da Associação Empresarial de Caçador (Acic).

Infraestrutura que blinda a estratégia

Em Suape, o grupo conheceu um complexo industrial e portuário com mais de 200 empresas instaladas, que trata a localização geográfica como vantagem competitiva e a governança apartidária, sustentada por contratos de longo prazo, como proteção contra a troca de governos — um paralelo direto com o desafio das ACIs de manter agendas estratégicas imunes às trocas de diretoria.

A passagem pela Biofábrica de Corais e pelo Cepene trouxe outra chave de leitura: o recife de coral como infraestrutura, responsável pela proteção da costa e pela sustentação da economia pesqueira local, e o turista como agente de regeneração, e não apenas como consumidor. No programa “adote um coral”, quem visita passa a financiar diretamente a recuperação do ecossistema.

De uma dor pessoal a cem lojas

Em Olinda, a Vila Padre Arlindo mostrou como uma dor pessoal pode virar projeto coletivo: o legado de um padre que uniu saúde, educação, empreendedorismo e fé em um só quarteirão resultou, hoje, em mais de cem lojas e 500 empregos, depois de anos engavetado. A lição, segundo o grupo, é que um curso de capacitação sem oportunidade concreta de renda vira frustração, e que cabe às associações fazer a ponte entre formação e mercado.

A própria cidade de Olinda, Patrimônio Cultural da Humanidade desde 1982, trouxe um exemplo de mobilização em torno de uma única grande causa: o Carnaval reúne todas as secretarias municipais em uma agenda comum, com políticas voltadas a um público majoritariamente feminino e uma cadeia de economia criativa formada, em sua maioria, por artistas, ambulantes e catadores locais e formalizados. Para os executivos catarinenses, o recado ficou claro: antes de buscar atração de fora, vale potencializar o que a cidade já tem dentro de casa.

O que fica para Santa Catarina

De volta a Santa Catarina, o desafio que os participantes levam para as próprias entidades é traduzir o repertório em prática: decidir o que parar de fazer, quais dois ou três desafios do território assumir como prioridade e que tipo de futuro a associação quer ajudar a construir nos próximos cinco a dez anos.

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