Facisc busca criar condições para que cidadãos da Argentina possam trabalhar na região de fronteira

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Facisc busca criar condições para que cidadãos da Argentina possam trabalhar na região de fronteira
Comunicação FACISC

Autor Comunicação FACISC

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Em uma força-tarefa para reduzir a escassez de mão-de-obra na região da fronteira entre Brasil e Argentina, a Facisc capitaneia um movimento importante para ajudar as empresas da região, que sofrem com falta de funcionários. Os diretores de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Federação, Sérgio Matte e Volmir Marcos Voltolini, buscam unir forças de diversas entidades, poder público, consulados do Brasil e Argentina, Governo do Estado e prefeituras das cidades que fazem fronteira entre os dois países para resolver a situação.

O problema da escassez de mão-de-obra já vem há alguns anos sendo descrito pelos empresários da região. Segundo o gerente de Serviços Compartilhados da empresa Di Pães, Dirceu Wathier, atualmente são necessários cerca de 50 colaboradores na empresa que fica em Paraíso, no Extremo Oeste. “A Di Pães é uma empresa jovem, de 20 anos, familiar, e conta com 115 funcionários. Tem necessidade de 40 a 50 funcionários e não tem disponibilidade de mão-de-obra na região. Procuramos pessoas mesmo sem capacitação e treinamos aqui na empresa, pois precisamos suprir esta necessidade”, explica.

Segundo Sérgio Matte, existe a necessidade de engajamento de todos para melhorar a relação da fronteira com a criação de oportunidades para melhorar a economia. “Queremos oportunizar que pessoas de outro pais possam trabalhar em Paraíso. Não é um movimento de imigração, mas um movimento de ajuda mútua e desenvolvimento territorial da fronteira”, destacou. Matte evidenciou que 20 quilômetros da BR-282 mais conservados da estrada estão nesta região.

Uma reunião nesta terça-feira, 16/8, em Paraíso na sede da empresa, reuniu além dos diretores da Facisc e da empresa, os consulados da Argentina e do Brasil. A ideia é buscar nos municípios vizinhos, em San Pedro, na Argentina, esta mão-de-obra que falta em Paraíso. A distância de San Pedro e Paraíso são cerca de 45 quilômetros. Muito mais perto que outras cidades da região.

Volmir Marcos Voltolini, explica que a intenção é criar uma relação e integração e oportunidades de trabalho na região de fronteira. “Vamos criar uma ação imediata para verificar a disponibilidade de mão-de-obra na cidade de San Pedro na Argentina”. Outra questão destacada por Voltolini é sobre o contrabando e o descaminho nas regiões de fronteira. “Precisamos integrar os municípios para gerar trabalho e não para o descaminho e contrabando. A fronteira tem oportunidades legais para o trabalho”.

O assessor de Gabinete da Prefeitura Municipal de Paraíso, Valdecir Silveira Menegais, também participou do encontro e se propôs a disponibilizar transporte para facilitar o deslocamento de pessoas entre as cidades.
O cônsul da Argentina em Santa Catarina, Federico Costa, ressaltou que um projeto piloto pode trazer benefícios para toda a relação Brasil e Argentina. Lisandro Parra, vice Cônsul da Argentina em Florianópolis, destacou alguns pontos que precisam ser tratados com o Ministério do Trabalho, a Polícia Federal, como outorgar uma residência, a abertura de uma conta corrente, vínculo com a Previdência, entre outros. Ele frisou que para ampliar a oferta de mão-de-obra, é necessário aumentar para outros municípios. “Não podemos ficar apenas entre Paraíso e San Pedro”.
O controle migratório na Fronteira em Paraíso foi outro tema importante. Hoje a situação é bem precária. O passo é um marco importante para facilitar o trânsito de pessoas entre os países.

O próximo passo é montar projeto e trazer as pessoas, envolver a prefeitura de San Pedro e o Governo de SC. Rodrigo Prisco Paraiso, diretor da Câmara Argentino Brasileira, sugeriu envolvimento com o Governo do Estado para se ter êxito no projeto.

Paraíso

O município de Paraíso possuiu uma área de 173,595 km2 e está situado a oeste do estado. Faz divisas com os município de Guaraciaba, Bandeirante, São Miguel do Oeste, e fronteira com a República Argentina. A cidade fica a 700 quilômetros de Florianópolis. A economia do município está baseada na agropecuária, com predominância do minifúndio rural, com destaque para o cultivo de milho, trigo, soja, feijão, fumo e citros. A suinocultura e a bovinocultura estão em ascendência. Conforme os últimos dados do IBGE, Censo Demográfico de 2010, a população total do município (urbana e rural) é de 4.080 habitantes.