Apesar de representar apenas 2,8% da população catarinense, o Extremo Oeste é responsável por 9% do déficit habitacional do estado, com um total de 16,6 mil moradias em falta. O crescimento acelerado da região, especialmente a partir de 2021, tende a ampliar ainda mais esse número nos próximos anos. Os dados fazem parte de um levantamento realizado pela Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (Facisc) e foram apresentados nesta quarta-feira (30/7) durante a Reunião Plenária Regional da Facisc, realizada na Acismo, em São Miguel do Oeste.
Nos últimos dez anos, a população da regional aumentou em 18 mil pessoas, sendo que 80% desse crescimento ocorreu após 2021. O agronegócio, com destaque para a pecuária e frigoríficos, foi o principal motor desse avanço, atraindo mão de obra de outros estados e países. Entre 2020 e 2025, houve um crescimento de 22% no número de empregos formais e a chegada de quase 11 mil imigrantes, principalmente do Rio Grande do Sul e da Venezuela.
A política federal de interiorização de imigrantes venezuelanos fez do Extremo Oeste a segunda região de Santa Catarina com maior número de refugiados, além de ser também a segunda com maior participação de estrangeiros no mercado de trabalho formal.
Déficit formado por aluguel e moradias precárias
O déficit habitacional no Extremo Oeste é composto, em grande parte, pelo ônus excessivo com aluguel (52%), além de habitações precárias (32%), uma das maiores proporções do estado. A região ainda contabiliza cerca de 500 pessoas vivendo em domicílios improvisados e tem índices preocupantes de saneamento básico: 65% das famílias de baixa renda vivem sem acesso adequado a esgoto, 32% enfrentam problemas na coleta de lixo e há altas taxas de deficiência no abastecimento de água e na qualidade dos pisos das residências.
Minha Casa Minha Vida e limitações no financiamento
Desde 2009, o programa federal Minha Casa Minha Vida entregou mais de 3 mil moradias no Extremo Oeste. Em termos proporcionais, a região é a segunda que mais recebeu habitações por meio do programa. No entanto, está entre as últimas em financiamentos habitacionais via FGTS, essenciais para famílias de renda média.
Outro ponto crítico é que quase 70% do déficit habitacional está concentrado na Faixa 1, a menor faixa de renda. Apesar disso, os últimos anos registraram aumento no financiamento para famílias com maior renda, enquanto não houve ampliação das habitações destinadas à Faixa 1 dentro da nova fase do Minha Casa Minha Vida.
Para a vice-presidente da Regional Extremo Oeste da Facisc, Vanessa Bertol, o dado reforça um desafio social e econômico urgente. “Temos uma região em plena expansão econômica, mas a infraestrutura urbana, especialmente a habitacional, ainda não acompanhou esse crescimento. É preciso uma atuação conjunta entre governo, setor produtivo e sociedade para reduzir esse déficit e melhorar a qualidade de vida da população”, destacou.
Confira aqui as fotos do evento: https://www.flickr.com/photos/196771524@N04/albums/72177720328053767/













