Entrevista com Londry Turra, presidente da Associação Empresarial de Araquari  




O Jornal da Cidade tem o compromisso de levar ao conhecimento da sociedade os fatos de interesses primeiros em todos os setores e foi ouvir as opiniões e avaliações sobre os impactos da pandemia na economia do líder empresarial Londry Turra, 61 anos, presidente da Associação Empresarial de Araquari.

Jornal da Cidade (JC) – Após mais de um ano da pandemia da Covid-19 os impactos negativos na economia são devastadores. Na sua avaliação, a recuperação da economia brasileira dependerá também da recuperação em outros países? Ou o Brasil tem potencial para voltar a crescer sozinho?

Londry Turra (LT) – Nós temos que retroagir alguns anos para vermos se aprendemos com o passado: desde o início da globalização, mesmo que não tenhamos sofrido direta e imediatamente, mais cedo ou mais tarde, vem para o Brasil os efeitos colaterais das crises mundiais. Lembremo-nos daquela máxima, de que quando os EUA e Europa (e agora Ásia) espirram, o Brasil experimenta uma pneumonia. Pois bem, as crises externas sempre nos afetaram, alterando o comércio global e, nesse processo, sempre inclinaram desfavoravelmente a nossa balança de pagamentos com o resto do mundo. E dificilmente nos blindaremos contra essa dinâmica.

Então, falando-se em recuperação econômica, temos setores que estão até melhores que no período pré-pandemia, como a construção civil, o automotivo e os petroquímicos, segmentos estes que inclusive tiveram uma elevação no preço de seus insumos, em percentuais nunca experimentados, estão de vento em popa, por uma demanda explicável, porque as pessoas deixaram de viajar, de irem a shoppings centers, de se maquiarem ou passarem perfume para trabalharem em casa e agora decidiram melhorar ou trocar suas casas, seus veículos, trazer mais conforto e utilidades para seus lares, etc.

Em termos empresariais, todos estão fazendo suas lições de casa, se adaptando, reduzindo e absorvendo custos, agregando tecnologia, enxugando no que podem, preservando empregos, agora falta o governo fazer sua parte, com as casas do Congresso Nacional agilizando os processos e as votações das reformas.

JC – Existem estratégias de curto e médio prazo para a recuperação da economia que beneficiem diretamente às empresas para absorver a mão de obra que já soma mais de 14 milhões de desempregados?

LT – Primeiramente, temos que concordar que os impactos da pandemia são diferentes para cada setor da economia. Projetar um cenário numa situação tão atípica é muito incerto, mas o que temos de certo é que as previsões catastróficas de queda do PIB em 2020 não se consumaram e as projeções são animadoras para 2021, em 3,4%. Alguns segmentos estão com desempenho melhor que antes da pandemia e outros ainda levarão algum tempo para retomar. Acredito que ainda teremos um percentual que deverá oscilar entre 10% e 12% de desempregados pelos próximos 3 anos, quando teremos a retomada dos setores mais afetados, como eventos, show, esportes, hotelaria, turismo e das companhias aéreas, além do marco do saneamento, que tem uma abrangência enorme no emprego de mão de obra, tanto quanto a da construção civil, que já está de vento em popa.

Fonte: Entrevista publicada no Jornal da Cidade