Nossos líderes: Entrevista com José Marciel Neis, presidente da Aemflo




“No associativismo você se relaciona com as pessoas, faz network, escuta, aprende, inova. Temos todo o aparato para nos desenvolver pessoalmente e profissionalmente”. Com essa definição, José Marciel Neis, presidente da Associação Empresarial da Região Metropolitana de Florianópolis (AEMFLO) e proprietário da empresa de Fretamento e turismo,  Alexandre Turismo, resume um pouco da sua visão sobre o associativismo. Confira a seguir a entrevista com mais este líder do Sistema Facisc.

 

Há quanto tempo está no associativismo?

José Marciel – Desde 1996 quando fundei a empresa. São 25 anos de história.

 

Como começou sua trajetória no associativismo?

José Marciel – Quando começamos no mercado já passamos a participar da AEMFLO. Mais ativamente a partir do 2000, fui convidado pelo empresário Dite Freitas para integrar o Conselho Deliberativo e depois o Conselho Fiscal. Nós fundamos o Núcleo das Empresas de Transportes Turísticos e Fretamento em 2006, que mais tarde virou a Associação das Empresas de Transporte Turístico e Fretamento em 2008, e também se transformou no Sindicato.

O que o motiva a seguir no associativismo?

José Marciel – O saudoso Dite Freitas me disse: “Gurizinho, vai lá que você vai aprender muito. O associativismo vale mais que uma faculdade”. Foi uma frase que tem muito significado porque aqui você se relaciona com as pessoas, faz network, escuta, aprende, inova. Temos todo o aparato para nos desenvolver pessoalmente e profissionalmente. Você doa o seu tempo para a entidade e a entidade te dá em troca muito conhecimento e desenvolvimento pessoal. Você evolui como cidadão. Enquanto você pensa no associativismo, você aprende a pensar em conjunto. Na sua empresa, você faz tudo o que quer e nem sempre toma as decisões mais certas, mas a decisão é só sua. No associativismo, você tem que aprender a ouvir os outros, aprender a respeitar a decisão da maioria, e isso faz você melhorar a tua gestão no dia-a-dia.

Quais as suas principais participações e realizações em projetos relacionados ao associativismo?

José Marciel – A participação no núcleo lá atrás foi algo que me trouxe bastante aprendizado. Quando assumi a diretoria de Desenvolvimento Social fizemos uma parceria com a Fundação Projeto Pecar e trouxe este projeto para dentro da AEMFLO. Este projeto nos mostrou que é muito mais vantajoso ensinar um jovem, dar oportunidades. Agora como presidente, o grande aprendizado está em me envolver nas situações e problemas que a comunidade está inserida. Por exemplo, temos o problema de mobilidade, de segurança, e mais do que cobrar por soluções, temos que ajudar a encontrar as soluções. Ajudar o Poder Público a encontrar caminhos para solucionar os problemas que são o anseio da comunidade e dos nossos associados. Os associados deram muita coisa para a AEMFLO e a entidade sempre precisa estar atenta para devolver aos seus associados mais representatividade, agora com a nova sede, mais espaço físico, e mais oportunidade para desenvolver a sua empresa e seus colaboradores, os seus negócios, e evoluir dentro da própria sociedade.

O que diria para um empresário que ainda não é ligado a uma associação empresarial?

José Marciel  – Entre! Venha fazer parte deste grupo. No associativismo você se sente muito bem fazendo algo para a sociedade, aprendendo e desenvolvendo com outras pessoas que têm a mesma dificuldade. Venha que você vai aprender muito. Você vai ajudar, mas vai receber muito em troca. Associativismo é uma troca. Te permita experimentar. Te permita fazer parte, ouvir, contribuir. A grande maioria das pessoas não se permite. Diz que não pode, que não tem tempo, mas a partir do momento que se permite começa a escutar e ver, e começa a entender o quanto esta participação agrega.

Algo que é bem forte na AEMFLO, é a questão da integração das forças empreendedoras. Como esta bandeira está sendo levada adiante?

José Marciel  – Dentro da nossa região, com as demais entidades, e sob o guarda-chuva da Facisc, é bem importante haver esta união das entidades a nível regional. Precisamos fomentar a discussão dos problemas comuns, e com a força da Federação, buscar soluções em conjunto. A partir do momento que integramos as forças, integramos as pessoas, começamos a ver que tem solução, porque escutamos cada um e vemos que os problemas comuns se tratados de forma conjunta, são mais fáceis de resolver. Com a eleição do vice-presidente Regional, Odílio Guarezzi, que já foi presidente da AEMFLO também, temos a condição de desenvolver ainda mais e integrar ainda mais.

O que representa para a AEMFLO ter um representante como Vice-presidente Regional neste conceito de integração?

José Marciel – Representa uma oportunidade de acelerar este processo de integração das forças empreendedoras. O Luiz Carlos Furtado Neves, que também já foi presidente da Facisc e também da nossa entidade, fez com que a Federação tivesse ainda mais produtos e serviços para conseguir o ponto de equilíbrio para as entidades. A partir do momento que a gente consegue a sustentabilidade da entidade, a gente consegue desenvolver ações para devolver para a sociedade, aquilo que a sociedade deu para a entidade. Não adianta só a AEMFLO devolver, temos associações nos municípios vizinhos que também fazem este papel. Todos querem ajudar e o segredo é como. Se tivermos alguém que ajude a integrar, facilita e acelera o processo. A eleição do Odílio, com a experiência e o bom trânsito que ele tem, vai ajudar este processo de integração.

Um dos pontos trabalhados nesta gestão é a mobilidade. Como a AEMFLO trabalha esta questão?

José Marciel – A entidade está envolvida junto com o Poder Público e as empresas privadas, com as demais entidades regionais para cobrar efetivamente para que o que foi prometido seja entregue. E que seja entregue com qualidade e agilidade. O grande gargalo hoje é a BR-101, e a nova sede da AEMFLO, está às margens da rodovia, então isso é um fator que a gente sente na pele e vê que muitas coisas poderiam ser feitas de maneira mais rápida se tivesse boa vontade, mais planejamento e mais envolvimento da sociedade na cobrança do resultado. Quando a sociedade efetivamente cobras as coisas acontece. Quando a sociedade se omite, as coisas se arrastam. O papel da entidade é de fato representar os associados nos seus maiores anseios, e hoje são mobilidade e segurança. É claro que a saúde, pois estamos passando por um momento crítico de pandemia, onde a saúde física das pessoas foi muito afetada. A saúde financeira das empresas também e a nossa entidade tomou várias ações para ajudar os associados neste momento. Mas agora precisamos fortalecer e cobrar efetivamente a mobilidade em toda a nossa região. A segurança pública é outro gargalo. Os dois assuntos andam juntos. E precisamos trabalhar juntos para que as ações em prol da melhoria desses pontos efetivamente aconteçam.

Que conselho deixaria para as futuras gerações?

José Marciel – Faça a sua parte. O grande problema é que as pessoas cobram de todo mundo, mas não fazem a parte delas. Se você quer que as coisas aconteçam, dê você o primeiro passo. Crítica não resolve. Sonho sem ação é igual a nada. Sonho mais ação é igual a realização. A gente precisa realizar. E também não fazer para os outros o que você não quer para você mesmo. É uma regra básica: se cada um fizer a sua parte tudo vai se tornar melhor para todos.