Em encontro da ACIB, jornalista Evandro de Assis analisa momento político em Santa Catarina




A reunião online conjunta entre Diretoria e Conselho Deliberativo da Acib desta segunda-feira (3), contou com a participação do jornalista e colunista da NSC, Evandro de Assis. Na ocasião, ele traçou uma análise do ambiente político de Santa Catarina e considerou que estamos vivendo um momento de “negação do conhecimento e negação da política”, o que contribui para a atual crise. “O governador Moisés não tem mostrado muito apreço pela atividade política no sentido prático”, observou.

 

Assis também repassou informações sobre pesquisas científicas relacionadas ao Coronavírus. Segundo ele, nunca se produziu tanto conhecimento científico sobre uma doença em tão pouco tempo. “O que já se sabe é que esse vírus se transmite muito mais pelo ar do que pelo toque. Uma pesquisa divulgada neste domingo demonstrou que as partículas de saliva que transportam o vírus são muito menores do que se pensava. Já se sabe que o ar é que transmite o vírus na maior parte dos casos”, explicou. O jornalista ainda lembrou que não há tratamento eficaz e criticou o envolvimento da política na relação médico-paciente.  “Estamos perdendo muito tempo neste debate. Há muitas prefeituras utilizando os medicamentos como política pública”, apontou.

 

O colunista acredita que entre o final deste ano e início do ano que vem o Brasil já poderá produzir vacinas. Porém, todas as crises (econômica, política e de saúde) irão se estender. “As crises econômica e política vão na carona da crise do Covid”. Assis ressaltou que, desde início da pandemia, a OMS deixou claro que o que se deveria fazer para combater o vírus era suprimir o contágio com isolamento social e assim que fosse encerrada essa fase, os governos deveriam ter uma quantidade adequada de testes disponíveis. “Santa Catarina perdeu a oportunidade de contenção do vírus por não ter a quantidade de testes necessária”, opinou.

 

Além disso, Evandro de Assis acredita que Santa Catarina tomou decisões desacertadas depois da quarentena de março. “Tínhamos informações para tomar decisões melhores. Mas, havia muito ruído naquela época, o que atrapalhou demais. A falta de coordenação do Ministério da Saúde foi decisiva. O governo do Estado também tem lidado de forma equivocada, decidindo apenas dentro do gabinete. Moisés ficou isolado politicamente, pecou na comunicação com os empresários e com as forças vivas da sociedade. No momento em que ele viveu uma crise política com o escândalo dos respiradores e depois com o pedido de impeachment, ele se viu isolado”, analisou.

 

O jornalista ainda lembrou que nunca na redemocratização brasileira um governador sofreu um impeachment. “Ele tem chances concretas de postergar esse processo, que certamente não termina em 2020. É uma crise política que deve se prorrogar, o que é muito ruim para o combate à pandemia”, concluiu.