Diante dos novos desafios no cenário mundial, estado do fortalece relações com países do Mercosul
O comércio exterior de Santa Catarina iniciou o ano com a marca de US$ 500 milhões em importações da América do Sul no mês de janeiro, o maior valor da série histórica para um mês de janeiro para o continente. A alta ocorre em um cenário no qual o Brasil reduziu o volume total de importações globais, com retração principalmente nas compras da China e dos Estados Unidos. Os dados constam no levantamento mensal do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e foram analisados pela Facisc.
O diretor de Relações Internacionais da Facisc, Evaldo Nieheus Jr. explica que apesar da queda no montante total importado pelo estado, Santa Catarina registrou crescimento de 30% nas compras provenientes de países sul-americanos, o maior avanço entre os principais importadores do país.
Desde o período pós-pandemia, o estado lidera nacionalmente as compras oriundas do continente. A expansão das importações está relacionada ao desempenho de setores estratégicos da economia catarinense, como metalmecânica e maquinário. Esses segmentos apresentam crescimento acima da média nacional e demandam insumos essenciais para manter a produção. O setor de produtos de metal em Santa Catarina, por exemplo, alcançou o maior crescimento do país em 2025.
A dinâmica interna também contribui para esse cenário. O setor da construção civil mantém ritmo aquecido, impulsionado pela valorização imobiliária e pelo crescimento demográfico em várias regiões do estado. Ao mesmo tempo, a produção de máquinas industriais e agrícolas avança, apoiada pelo bom desempenho do agronegócio.
Chile é o principal país que Santa Catarina comprou de SC
Entre os parceiros comerciais, o principal destaque é o Chile, responsável por US$ 268,3 milhões em vendas para Santa Catarina em janeiro, alta de 61% na comparação anual. O estado ampliou as compras de cobre refinado, minério de molibdênio, chumbo e fios de cobre. O país é o maior produtor e exportador mundial de cobre e consolida posição estratégica na cadeia produtiva catarinense.
Outro parceiro relevante é o Peru, que apresentou o maior crescimento entre os países do continente: US$ 59,1 milhões em exportações para Santa Catarina, mais que o dobro do valor registrado no mesmo mês do ano anterior. As importações de cobre refinado cresceram 97%, as de zinco em forma bruta avançaram 4.700% e as de fios de cobre aumentaram 946%. O país também figura entre os principais fornecedores mundiais de minérios, o que fortalece a base industrial catarinense.
Insumos elétricos dobram vendas
Além da demanda interna, o avanço das exportações de bens de capital reforça a necessidade de insumos importados. As vendas internacionais de transformadores elétricos mais que dobraram em janeiro, com valor recorde para o mês: US$ 20,1 milhões. Destaque para embarques destinados à África do Sul, Estados Unidos e Emirados Árabes Unidos. As exportações de máquinas agrícolas e equipamentos para fabricação de alimentos também apresentaram desempenho relevante, sobretudo para mercados da América Latina.
Para o diretor de Relações Internacionais da Facisc, Evaldo Nieheus Jr., o movimento reforça a estratégia de integração regional. “O relacionamento com países vizinhos ao Brasil cria um ciclo virtuoso. Eles fornecem insumos essenciais para a indústria e para a construção civil catarinense, e nós manufaturamos esses produtos e os vendemos de volta, inclusive com alto conteúdo tecnológico. Mesmo em um cenário de retração das importações brasileiras, Santa Catarina amplia sua base produtiva ao fortalecer a integração com a América do Sul. O crescimento das compras de insumos estratégicos revela uma indústria em expansão, conectada a cadeias próximas geograficamente que facilitam a logística de fornecimento”, afirma.
O empresário Gustavo Schlickman, do setor metalmecânico da cidade Braço do Norte, da empresa Inmes Industrial, explica que o crescimento das importações causa impacto direto na produção. “A proximidade com fornecedores da América do Sul garante mais previsibilidade e competitividade. O cobre e outros metais são fundamentais para nossa linha de transformadores e equipamentos industriais. Essa integração regional reduz riscos logísticos e fortalece a indústria catarinense.”













