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Após mais de dois anos de espera, a recente autorização de comercialização nacional de um herbicida com as mesmas propriedades do antigo Totril, gera boas expectativas em termos de produtividade na cebolicultura catarinense para a safra 2023/2024. Entidades empresariais da região do Alto Vale do Itajaí já estimam que, caso todas as demais condições sejam favoráveis, a receita possa ultrapassar a média das últimas duas safras.
Em 2021, foram gerados R$710.553,00 no Alto Vale. Em 2022, a expectativa é de que esse número aumente um pouco em consequência de vendas com preço recorde ocorridas neste começo de safra, mas pode haver um recuo em virtude das consequências das fortes chuvas. Já a partir de 2023, com a chegada do produto, mesmo que em quantidade limitada inicialmente, a tendência é de que a receita possa sofrer um leve impacto, em virtude das melhores condições de desenvolvimento da cebola. Porém, isso só poderá ocorrer se os dois fatores determinantes contribuírem: clima e mercado.
De acordo com o empresário do setor Agropecuário e Vice-Presidente para Assuntos de Agronegócio da Associação Empresarial de Ituporanga (ACEI), Tiago Eifler, apesar de ainda ser muito cedo para prever o quanto a novidade deve afetar o mercado da cebolicultura nas próximas safras, as perspectivas de ganhos econômicos para o Alto Vale, especialmente a Região da Cebola, são as melhores.
“Nossas expectativas a partir do próximo ano são as melhores, já que a economia de mão de obra e as maiores condições para o desenvolvimento das lavouras de cebola proporcionadas pelo FICO, podem refletir em uma maior lucratividade para o agricultor e, consequentemente, no fortalecimento de todo o nosso comércio e economia regional”, destacou Eifler.
Outras entidades prevêem bons cenários
O presidente da Associação Nacional dos Produtores de Alho e Cebola (ANACE), Rafael Corsino, destaca que o produtor estava literalmente pagando caro pela ausência do produto. “Calculamos que só em mão de obra, os custos chegavam até R$5 mil por hectare, muitas vezes, sem o mesmo resultado de antes. Agora, o produtor vai enxugar esse gasto e ainda poderá ter melhores resultados”, lembrou.
Para o presidente da Associação dos Produtores de Cebola de Santa Catarina (APROCESC), Jelson Gesser, além da economia de mão de obra, a utilização de um produto registrado para cultura da cebola será benéfica também na questão ambiental e em termos de maior produtividade.
“Com a saída do Totril há cerca de dois anos, os produtores se viram obrigados a usar pelo menos duas vezes, herbicidas pré-emergentes de ervas daninhas que deveriam ser aplicados apenas uma vez e somente no início do cultivo. Devido à alta fitotoxicidade que esses produtos causam nas plantas e no próprio solo, o impacto principalmente se dá pelo desenvolvimento mais lento das plantas de cebola. Como são herbicidas que impedem a germinação de ervas daninhas, acabam por si só, afetando também um pouco o desenvolvimento da cebola. Como não há um cálculo preciso para utilização correta deles, acreditamos que o potencial nestas últimas safras, em muitas lavouras, poderia ter sido bem maior”, destacou.
Funcionalidade do FICO
Aprovado recentemente pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e ANVISA, o herbicida FICO produzido pela empresa norte-americana Green Up, possui as mesmas propriedades do antigo Totril, que era o único registrado para o controle de ervas daninhas de folha larga em período pós-emergente.
O produto possui um menor nível de toxicidade ao solo e a própria cebola, além de impedir as perdas em decorrência da competição por nutrientes, diminuindo a capacidade de desenvolvimento, atrapalhando na colheita e até facilitando uma maior incidência de pragas, devido à umidade.