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Houve quem falasse em tsunami. Outros apostaram em marolinha. Qual desses foi o paralelo mais adequado não importa. O fato é que o Brasil enfrentou com galhardia a crise mundial iniciada em 2008 e praticamente encerrada, ao menos por aqui, em 2009. O crescimento da economia foi tímido, mas superior ao apontado na maior parte das projeções. Ou seja: temos motivos para comemorar. Ainda mais porque o ano que começa deverá ser bastante positivo.
O otimismo, porém, não pode ser motivo para comodismo. O Brasil ainda tem sérios desafios a enfrentar. Devemos esperar e cobrar de nossos governantes a tomada de medidas necessárias para melhorar o cenário macroeconômico, mesmo que inicialmente as ações implantadas sejam impopulares. Isso é difícil, ainda mais em ano eleitoral. Mas é essencial demonstrarmos àqueles que governam que pode ser mais importante entrar para a história como responsável por mudanças essenciais para o País do que apostar apenas em facilidades eleitoreiras.
A realização do pleito majoritário, aliás, explicita ainda duas situações distintas: o fato de termos uma votação a cada dois anos denota a necessidade de estudos mais aprofundados sobre o sistema eleitoral brasileiro e o custo social que isso tem sobre a nossa economia. Por outro lado, o processo deve colocar em evidência as grandes demandas econômicas e de infraestrutura de Santa Catarina – aeroportos, portos e rodovias são os grandes gargalos para o crescimento do Estado. Neste sentido, a Associação Comercial e Industrial de Florianópolis (Acif) deverá desempenhar um importante papel de interlocutor do setor produtivo, apresentando e defendendo, junto aos candidatos, a inclusão de três prioridades da nossa região em seus planos de governo: a conclusão da duplicação da BR-101, ampliação do Aeroporto Hercílio Luz e a construção do porto turístico.
Em nível nacional, um bom ponto de partida para iniciarmos uma trajetória de crescimento contínuo e com melhor distribuição de riquezas é uma grande reforma fiscal, com destaque para as medidas tributárias, tema que já foi alvo de intensas discussões e sobre o qual a Acif tem uma proposta concreta. É preciso desonerar a classe média e o setor produtivo, o que vai resultar em maior circulação de riqueza e no fortalecimento do mercado interno, essencial em tempos de dólar em baixa contínua. Ainda é preciso modernizar e aperfeiçoar, além da legislação eleitoral, também a trabalhista. Somente depois de avançarmos nestas diferentes frentes é que estaremos prontos para crescer de forma contínua, sem maiores sobressaltos, e, principalmente, aptos a tirar o melhor proveito possível de novos tempos de bonança que devem suceder ao atual momento de turbulência mundial.
Doreni Caramori Júnior, empresário e presidente da Associação Comercial e Industrial de Florianópolis (ACIF).
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